domingo, 15 de dezembro de 2019

Uma camisa estampada.

Uma aragem fresca e suave entrando pela porta da varanda. Hora da preguiça. Deitada no meu sofá, como ontem. Na pequena estante, onde habita meu aparelho de TV, há também alguns porta-retratos. Eu com a filha, eu com as irmãs, eu com a prima, eu com o amigo de infância e vizinho. Aí, olhei para a camisa estampada que meu colega de mocidade usava: branco no fundo, com flores de um azul escuro e minúsculas ramagens amarelas. Nossa, gente! O que acontece? Meu passado de volta. Ai, ai, de novo? Sim! De novo. Hoje, quando há uma festa comemorando casamentos ou aniversários, os gastos são imensos. Não me conformo com o desperdício. É coisa demais para um ser humano normal degustar...! O bolo majestoso, a mesa com os mais variados doces, além do jantar e salgados, na saída, uma mesa de café, chocolates, chás, biscoitos e tudo o  mais que se possa imaginar. Música contratada é outro gasto imprescindível. Por que falo disso? Explico. A camisa de verão, estampada do meu amigo me lembrou um vestido com a estampa bem parecida : usei nos meus quinze anos. Minha mãe costurou um modelo bem simples. Uma saia rodada, um pequeno decote na blusa e sem mangas. Minha terra natal é quente! Quente demais! O tecido não posso afirmar de onde ela comprou. Havia uma rua de maior comércio. A loja do Zé Salim, me lembro bem, tinha de tudo um pouco: sapatos, algumas roupas na vitrine, roupa de cama e mesa, sombrinhas e tecidos. Na loja dos Borges ( me esqueci o primeiro nome do dono), eram vendidos os mais variados tecidos também. A loja da Enid era de aviamentos, botões, fechos, colchetes de gancho e de pressão, fitas, rendas, e muita coisa que se precisasse para a confecção de uma costura. A loja era do seu Dario Borges, me veio, de repente - aquele de quem não lembrava o nome - e algumas lojinhas mais que não vem ao caso. Voltando aos meus quinze anos: não faltou um bolo de camadas ( uma com anilina  rosa ou azul) e confeitado por dona Inah. Alguns docinhos, canudos, doces de leite e cajuzinhos ( aqueles que o Falabella costuma debochar) e doces de coco. Os convidados não havia tantos. Apenas as minhas irmãs e meu irmão. Não me lembro se soprava velinhas. Que diferença dos aniversários de agora...!  Éramos mais felizes? Também não sei. O fato é que me lembrei de uma época da vida (por um simples gatilho, a camisa estampada no retrato) quando eu ansiava pelo meu príncipe encantado. E  confesso,já havia um, sim. Não vou contar quem era, só sei que, uns dias antes do meu aniversário, fui convidada para a comemoração de quinze anos de uma amiga e colega de escola. Ela ganhou quinze presentes e foi uma festa e tanto. Darei uma pista: seu irmão era quem fazia meu coração acelerar, descompassadamente. Pena que este meu órgão, tão sofrido, só bate mais forte quando me esqueço do remédio de pressão ou a ansiedade vem me visitar. Enfim, " Cést la vie" !

2 comentários:

Junior disse...

Adorei mãe. Muito bom. Continue escrevendo.

neuzasales disse...

Obrigada, filho.Bom saber que gosta do que escrevo! Bj