quinta-feira, 12 de março de 2015
AS PERDAS.
Já devíamos estar acostumados: todo o tempo da vida, andamos ganhando coisas boas, aquelas que não contabilizamos suficientemente ( e devíamos mas nos passam despercebidas) e perdendo também. É assim para todos, claro. Por mais que julguemos que alguém é mais feliz, bem mais aquinhoado, mais sortudo, sabemos que, por trás de cada um de nós, há algum inconveniente, tristeza, decepção. O jardim do vizinho é mais florido e bonito que o nosso. Às vezes, são esses os pensamentos que temos. Natural; afinal, imperfeitos que somos. Mas não resistimos bem quando acontece a perda, quando morre alguém querido. Não quero ser mórbida. Na verdade, me considero uma pessoa que, apesar dos pesares, venho resistindo bravamente aos infortúnios da vida. Vez em quando um tropeço, uma queda. Esta semana, entretanto, foi marcada por algumas perdas de pessoas queridas com as quais pouco convivi nos últimos anos mas que são conterrâneas e contemporâneas. Uma mulher linda, de fibra, irmã de uma grande amiga e ontem, um amigo que se foi e que me deixou mais triste. Sou do interior, de uma cidadezinha que nunca vai deixar de ser o meu berço, onde vivi os melhores anos da meninice e juventude. Então, as pessoas de lá, mesmo as que não nasceram ali como esse amigo que se foi, mas nascido em cidade vizinha e que morou e conviveu com bonjesuenses ,como se um deles fosse. Os conterrâneos viram uma espécie de irmão emprestado. Saber que não mais os veremos é cruel. Moro há anos afastada da minha cidade natal. Mas a raiz continua plantada lá. Ando triste, vendo essas pessoas queridas partindo. É uma geração da qual participei. Os dois eram mais jovens que eu. Mas parece que foi ontem, vejo a figura deles nos cantos da cidade, na pracinha, nas ruas e em suas casas, cujas famílias são como se fossem parte da nossa. São parentes por afinidade. Hoje, estou de luto.
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