quarta-feira, 28 de outubro de 2015

QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO

Quanta coisa se pode dizer, partindo dessa premissa.Tirei uma foto há uns seis dias e fiquei bem: arrumada para uma festa, vestido bonito, cabelo arrumado, maquiada, enfim, caprichei no visual.A filha, que adora fotos não fez por menos e bateu umas quatro ou mais  com o celular e, além de tudo, colocou no facebook pra quem quisesse ver. Devo reconhecer que fiquei bem. Sorria. Sim, eu estava com um sorriso estampado no rosto. Parecia feliz. Parecia- este é o verbo- não a realidade.Hoje, com o estado de ânimo em que me encontro, fico pensando... Por que  nos acostumamos a passar uma imagem de felicidade, quando na verdade, o que realmente acontece é bem o contrário. Por que temos a obrigação de dizer a todos o quando estamos bem, o quanto estamos nos divertindo, o quanto a vida é bela! Ilusão ou o quê? Não sei, só sei que é de praxe essa demonstração de felicidade; nos retratos, então, é obrigação. Eu não fico bem se não sorrio, acho que fico melhor e com menos rugas, digamos assim, quando esparramo um sorriso no rosto, ainda que forçado. A vida costuma ser uma comédia em que os atores dão um belo espetáculo, com enorme talento. Por que devo sorrir quando entro no elevador para um vizinho que mal diz bom dia? Educação, claro. Por que  chego na casa de alguém parecendo que o dia está ótimo e que tudo vai bem  e lá venho, esbanjando mais sorrisos.Por que cumprimento a todos com um meio sorriso, só porque adentrei o ônibus? Sorrio ainda para a moça que me dá o troco no mercado. Sorrio, sorrio e sorrio. Por que, gente? Será que sou falsa? Será que me sinto na obrigação de ser agradável, gentil, educada? Por que, me pergunto eu. Acho que vou adquirir novo comportamento, só pra ver no que vai dar. Passarei a ser tachada de antipática, com certeza. Comecei bem cedo a me comportar civilizadamente. Lembro-me de, brincando de boneca com minhas irmãs e a prima, o braço da linda boneca de louça de minha prima se desprendeu do corpo. Eu então,  mantendo a gentileza e com certeza um sorriso educado, olhei pra ela e disse:   " Estalou?" Vejam bem a sutileza da pergunta. Toda cerimoniosa, ao invés de rir, debochar ou achar bem feito o fato de aquela boneca linda tivesse um problema, eu sorri, educada e levei a sério a brincadeira. Quanta ironia! A vida está me parecendo um caldeirão de água fervente, com uma dose cavalar de ironia, maldade, fingimento, hipocrisia , temperando esse guisado. Ando cansada de ser boazinha, simpática, suave. Acho que preciso colocar mais tempero no meu comportamento,talvez, pimenta, quem sabe? Parece que as pessoas mais respeitadas são aquelas que estão sempre desafiando, ou que não demonstram medo em responder à altura quando maltratadas, ou se vêem ameaçadas e se defendem; também não ficam espargindo sorrisos solícitos para que sejam bem aceitas. Parece que se impõem na sua franqueza desmedida. Voltando a falar daquela minha foto bonita ( recebi até alguns elogios) creio que devo dizer, como quando era criança:Enganei meu burrinho com uma pedrinha de sal, comendo capim, no meu quintal!" Porque a minha alma, ou seja lá como  se denomine meu sentimento,naquela foto,sorridente, tão bonitinha, não estava  com vontade de rir e nem queria sair...Tenho ouvido, quase todas as manhãs, o padre Marcelo, até comprei o livro dele Philia. É bom, e ajuda a quem sofre de depressão. Que Deus me ajude e aumente a minha fé. Espero voltar a ser aquela menina boba, que tinha vergonha dos outros e que ria por delicadeza ou só por educação. Eu era feliz, sim, Mesmo com os problemas pelos quais passei, mesmo assim, sorria com vontade. Tinha uma alegria espontânea e sentia prazer em muitas coisas, como por exemplo, ouvir uma boa música, rir de uma piada, ir ao cinema, dançar, me arrumar, para sair bem na foto. Esse tempo passou. Aparência, não é tudo. Meu coração anda doente, Se pudesse ser visto, perceberiam que, como a boneca da minha prima, "estalou" e agora ficou difícil de  consertar...

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