quarta-feira, 14 de outubro de 2015

"UM CORPO QUE CAI"

Alfred Hichcock lançou esse filme em 1958, eu devia ter meus 14 anos, faz tempo isso. Não sei contar a história tim-tim por tim-tim. Lembro-me apenas  do suspense que foi  e da linda,loura Kim Novak, que estrelava o filme. Até aí, tudo bem. Hoje, penso com saudades da época em que ir ao cinema era um programa genial: sair de casa, acompanhar pelas telas do cinema, algo incrível, mágico. Costumo pensar na efemeridade da vida, do tempo que nos é dado e que , se pudéssemos adivinhar, teríamos aproveitado mais. Não me lembro mesmo quem caía, no transcorrer da história, se era a mocinha ou se alguém era empurrado. Sei lá. Se alguém consegue, me desculpe pois  do que quero falar, não é exatamente do roteiro do autor daquele filme. Não.Então qual o  porquê? Caiu do cérebro para a tela do computador, onde digito coisas, o título aí de cima. Às vezes, coisas alegres, leves, me ocorrem e noutras o contrário. Um certo fel vem amargar a minha escrita. Ando percorrendo vales, sombrios espaços que não tem trazido muitas coisas boas.Me lembro do salmo da Bíblia: acho que 22 ou 23:" O Senhor é meu pastor nada me faltará.Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum , porque tu estás comigo;" além das palavras do psicólogo que me ajuda a enfrentar os problemas:ele costuma me dizer que há muita vida ainda para ser vivida e que tenho muitas coisas boas para aproveitar. Insiste em que eu me ame mais e dedique mais tempo a mim mesma. Ele tem razão. Mas é fácil, eu pergunto? E já sei a resposta.  O corpo que cai agora, já não diz respeito ao do famoso filme  do  senhor Hitchcock. Agora, é o meu, que vejo despencar. Não falo só das carnes mais flácidas, das celulites e estrias, não mesmo. Até as rugas que teimam em me deixar mais feia e mais velha, não são coisas que incomodam tanto quanto o sentimento devastador que vem se entranhando em minha alma. Ou naquela massinha cinzenta que nos dá enormes rasteiras. Qual é ?! Pergunto nervosa, chateada. O que anda fazendo comigo que me deixa inerte, sem vontade, sem alegria? Tem um nome pomposo e intrigante: depressão. Lute contra isso, faça coisas que gosta tanto de fazer, ler, pintar, escrever, dançar, ouvir música. Sim, Amo fazer tudo isso, gente.Mas estou parecendo aquele jogador de futebol que sofreu falta e caiu no chão. Olha aí, gosto de futebol também, ontem, vi o Brasil ganhar da Venezuela. Não quero ser substituída por ninguém, preciso me levantar e deixar que o juiz da partida, dê um cartão amarelo para o agressor. Dependendo da falta, que seja expulso, cartão vermelho nele! Vou me arvorar em técnico ou mesmo bandeirinha e sinalizar para o juiz que ele precisa expulsar esse cara que pratica o "anti-jogo". Fora depressão! Fora, golpes baixos, em campo, não!!! Vou massagear o meu ego, colocar um gelinho na contusão e vou partir para a luta, afinal a partida ainda não acabou!

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