sábado, 10 de outubro de 2015
Tristeza e depressão - serão primas...serão irmãs?
O que se sente num dia em que o sol brilha e nada de extraordinário acontece não é apropriado pra esse tipo de pergunta. Ou é? Não depende de fatores externos, de tempo bonito, de nada, nada. Explicação, tem, sim. Mas não pode ser feita através de palavras. Não pode, mesmo. E porque escrevo então? Sei, não. Talvez para não explodir ou, melhor dizendo, não implodir. Porque o que se sente não é vontade nenhuma de estourar, de gritar; nem mesmo chorar adianta. É esse desejo mórbido de não ser. De não ter sido alguém. Pra que nasci?A modificação que venho sofrendo no meu comportamento não é normal. A morte é inevitável mas sinto que ela anda me rondando de perto. Nunca alcancei os objetivos que sonhava. Pelo menos fui enganada com uma falsa esperança. Dias e anos se passavam e nada da tal felicidade chegar. Dizem que é abstrata essa daí. Tive provas cabais disso. Porque, gente, lutei a vida inteira para manter o sorriso no rosto, a alegria, com pequenos desejos realizados mas aqueles, aqueles que realmente não se concretizaram e que me importam, aí, sim, me sinto frustrada.Querem me consolar as pessoas queridas que estão próximas, minha irmã por exemplo, me aponta coisas mais tristes, mais graves, problemas maiores que os meus e sei que ela tá certa. Há cruzes extremamente mais pesadas que as minhas. Mas quem as carrega são mais fortes que eu. Deve ser isso. Ontem, meu filho mais velho, que mora com o pai, veio com mala e cuia dizendo que iria ficar uns dias comigo. Que alegria! Vejo-o tão pouco...Armei tudo para que ele se sentisse confortável. Transferi minha televisão para o quarto do meio ( que é reservado para o filho que vem ) a poltrona do meu quarto ele também a carregou pra lá e tudo o que ele quis, eu concedi, com o peito aberto. Saímos para umas compras. Ele é o tipo de pessoa solidária, me ajudou com tudo e sem reclamar. Acho que é o mais parecido comigo. Comprei algumas roupas pra ele, consertei seu pijama, coloquei elástico, enquanto ele se acomodava com seus jogos, de que gosta tanto. A filha reclamou de tudo. Não a culpo, apenas vejo no seu comportamento uma das falhas minhas. Ela é boa, muito boa comigo mas não tem paciência com os irmãos. E suas razões ela quer me convencer, são legítimas, só que eu não entendo a vida sem amor, sem paciência, sem compreensão. Hoje, acordei mais tarde, já que é sábado e não havia nenhum compromisso. Percebi os passos do filho, indo e vindo até que abri os olhos e me deparei com ele já vestido, dizendo que iria embora. Disse ainda que voltaria na semana que vem e ficaria de novo. Ele se esconde no quarto da casa que mora, onde passa a maior parte do tempo. É lá que se sente bem. Escondido do mundo real, se apega ao virtual através dos seus games, filmes. Senti-me decepcionada, pois contava com ele por mais alguns dias. Meio eremita, se esquiva da realidade dura da vida. Vejo-o muito pouco, já disse. Moramos há mais de dez anos em casas separadas, já que assim ficou decidido, quando nos separamos, eu e o pai dele. Não foi escolha minha. O apego pelos filhos se tornou maior à medida em que me sinto envelhecer e o tempo encurta meu registro aqui neste planeta. Ando de tal modo sensível que amanheci num choro convulsivo, só de pensar na distância que sofrerei de novo, com a ida do filho, que volta para seu reduto solitário mas onde ele se sente melhor. Não tenho gosto pra mais coisa alguma. Escrever é mais uma saída do que satisfação. Gosto, sim de espalhar minhas idéias e colocá-las ao alcance daqueles que me leem. Mas neste momento, sirvo-me das palavras para desentocar toda essa tristeza que me devasta. Não estou bem. Não estou feliz, Não estou nada.Esse vazio que me impede de ir até a esquina, a qualquer lugar é que deve ser a tão falada depressão. Ela não é só tristeza, é algo que te desmonta, que te faz imaginar o percurso até o mercado, um martírio, visualizo, antes de sair, cada rua, cada esquina, o sinal de trânsito que devo obedecer, cada pedra e buraco das calçadas, já meio decorados por mim, passados por ali, tantas vezes. Antes, animada em comprar uma roupa ou sapato, até utensilio prático para a cozinha, tudo isso me incentivava a sair. Hoje, tudo se transformou em desânimo, em sacrifício. Talvez, nem sejam parentes, essas duas,a tristeza e a depressão. Mas a conclusão a que chego é que ambas estão sócias e querem me derrubar. Por que? Não tenho a menor idéia...
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