São três dias de festança. Estamos em plena época de alegria. Neste mes, agosto, celebramos a vida. É meio assim. Dizendo melhor, é assim mesmo. Ontem, dia treze, fui presenteada com imagens da banda de música, aquela mesma que nos acordava na madrugada, marcando que a festa já começava. E me veio também à lembrança um vestido amarelo-mostarda que minha mãe costurou para mim, afinal, como todo ano, roupa nova para a jovem à espera de alegrias, coração transbordando de emoção. Desfile escolar, bailes, barraquinhas, missa, tudo era motivo para desejar que a festa durasse mais e mais. O modelo consistia em um decote em V de onde nesgas brotavam, afinadas na cintura e soltas e leves até a bainha. Não esperava para estrear a indumentária. Já pela manhã, me engalanava, me sentindo bonita, corria para a praça, onde a Igreja, linda, imponente, nos lembrava que era a casa de Jesus. Aliás, o nome da minha cidade, nada menos que Bom Jesus. Lindo, não é? Orgulho e saudade. É o que posso definir como sentimento por aquele lugar mágico. E tantas outras lembranças me acorrem... Personagens, pessoas que marcaram minha vida. Os amores da mocidade seriam obviamente, ao que deveria me ater. Mas deixo para depois. E volto a pensar nas pessoas, aquelas que me são preciosas. Por exemplo, minha irmã mais velha, que, ontem, completou mais um ano de casamento, de uma união duradoura e bonita. Coisa rara. Sempre foi adiante do seu tempo. Os preconceitos, ela nunca os respeitou. Havia uma bela mulher, cabelos claros, rosto suave, lábios desenhados com boa vontade por Deus, que lhe proporcionavam um sorriso cativante. Não direi seu nome. Não era casada com o parceiro que escolheu para pai de seus filhos. Um escândalo na sociedade da época, mal vista para os mais exigentes da moral. Contudo, minha irmã aproximou-se dela e a visitava e também a recebia em sua casa. Se tornaram grandes amigas, até hoje. Vejo nisso um modelo bonito a ser seguido. A bela mulher que citei costurava para se manter e era mais digna do que muitas que se arvoravam em pregar bom comportamento. Deixemos as duas e vamos continuar a festa. Hoje, a pandemia destruiu a beleza deste momento tão especial para nossa pequena cidade, típica interiorana mas acolhedora ao receber seus visitantes. Há um hino maravilhoso que ressalta as qualidades dessa querida terra: "Ò, Bom Jesus, terra de hospitalidade, longe de ti, quase morro de saudade! Tua garota é formosa e gentil, ò Bom Jesus, pedaço do meu Brasil! Tens os montes verdejantes, lá no alto do Calvário, todos nós juntos em festa, venerando o Santuário..." um pequena parte, só para dizer que chorei demais ao receber o vídeo com a "Furiosa" tocando pelas ruas por onde andei. O amarelo do vestido nem seria minha cor predileta, mas me reconduziu a um tempo mágico, quando o sol, pintando os caminhos de amarelo forte, já imperava, esquentando as mesmas ruas e os corações dos habitantes da minha terra natal, com calor humano, coisa deficiente, nos dias atuais, quando vemos um ditador esquizofrênico, psicopata, tentando destruir com uma terrível guerra biológica, o que o Criador nos deu de bandeja. Tenho fé em que tudo vai passar, que teremos dias brilhantes, de um amarelo ouro, como o meu vestidinho de Festa de Agosto.
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