quinta-feira, 25 de junho de 2015

Transgredir



Transgredir.


Segundo uma grande escritora, poetisa, cronista, Lya Luft, pensar é transgredir. O título de um dos muitos livros dela é esse. Há mais  definições no dicionário. Mas hoje, amanheci com a musiquinha do meu celular, avisando da hora de levantar para a ginástica. Meu corpo todo se recusava a obedecer. Transgredir é também dar asas à preguiça e deixar de dar limites a ela, como fazia com os filhos, diante de uma teimosia, ou qualquer outra situação que precisasse  corrigi-los. Mostrar a eles que a vida tem momentos de dificuldades e que nem tudo que queremos  é o que podemos, apesar da afirmação pontual : “Querer é poder”. Sei  não.                                                                                                                                                                                                                                 
                                                                                                                                                                                                 Me dei (o pronome não devia vir antes do verbo mas estou me lixando para o Português; hoje, estou com este espírito de porco) o direito de ficar na cama, todos os ossos de férias, como se não pudessem obedecer ao chamado do cérebro. É preciso ter coragem. É preciso não se entregar. É preciso se exercitar. É preciso mexer o corpo para que continuemos vivos. Mas dei asas à transgressão. Não tão grave assim. Apenas me deixei ficar. Só não fiquei confortável com a decisão e olhava para o relógio, vez em quando, imaginando cada uma das amigas e amigos, suando a camisa, literalmente, fazendo as acrobacias, subindo as pernas (essas que parecem pesar toneladas quando precisam subir e descer). Sim, hoje transgredi as leis, fui infratora contra meu próprio corpo. Ando meio esquisita. O fato de lançar um livro mexeu um pouco com os meus neurônios. Medo de gastar dinheiro, a época não parece propícia, diante de um governo que só nos achaca de todos os modos. Querem que paguemos o pato por suas falcatruas. Não é justo. Aliás, nada é justo. Preciso me cuidar, cuidar um tantinho da minha aparência. Segundo meu netinho estou velhinha. Ele olhava meus cabelos brancos ( um mês sem tinta), as rugas, mãos envelhecidas e  ainda comentou que os dentes estavam amarelos. Em todo o caso, ainda os tenho. Talvez, pelos dois anos de leite materno do qual não abri mão. Cálcio e proteção. Criança tem a franqueza natural que lhes acompanha, antes de serem teleguiados por nós, adultos. O sol brilha forte lá fora. Disso eu gosto e muito. Tem coisas boas acontecendo, sim. Vamos lá, preciso me animar. Comecei um livro ontem, voltei a ler. Isso também é muito bom.

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