De ônibus, muito cansativa. Viajava acompanhada pela filha. Usava uma blusa de mangas compridas que me deixava com calor. Arregacei as mangas. Chegávamos, finalmente. Avistei a casa da antiga lavadeira e imaginei que iria deixá-la contente com uma visita. Anunciei com entusiasmo: - Vim tomar café com vocês e trouxe pão. Algumas crianças estavam ali, algumas ainda com uniforme escolar. Ela olhou-me apenas. Vi algumas xícaras usadas e peguei uma delas para lavar. Ouvi-a dizer que precisava ir ao médico, no Rio. Estranhei sua forma fria de me receber. Um cachorro grande apareceu na minúscula sala. Não senti medo, apenas uma certa aflição. Já mais tarde, via-me na rua do antigo apartamento, onde mora minha irmã. Avistei a janela onde todos pareciam me esperar. Parecia mais larga. Uma enorme alegria me invadiu. Acenei eufórica, sentindo as dobras das mangas se desfazendo. e logo subia a escada mais parecida com a da casa onde morei, na Av. Fassbender.
Minha avó me seguia, querendo acompanhar meus passos rápidos, o que a deixava cansada. Minha mãe, a primeira a me receber com um afetuoso abraço. Sentia seu corpo que me apertava, matando as saudades. Todos nos esperavam. Cumprimentava-os com calor. Até que percebi meu pai e seu irmão, sentados num canto, em cadeiras tão baixas que se aproximavam do chão. Olhei meu pai com certa culpa. Deveria ter falado com ele primeiro. E me aproximei. Ele tinha uma aparência frágil, a barba por fazer. Eu me abaixei e o envolvi num abraço longo. Daí a pouco não havia mais ninguém no quarto. Dirigi-me até a janela e olhei para fora. Avistei um grupo de casas sendo construídas ao longo do morro pequeno que circunda a cidade. Minha irmã, a segunda na ordem de nascimento, parecia não me ouvir, mudava as estações de um rádio, ignorando minha presença. Saí dali e me deparei com a irmã mais velha. Sentia, fortemente, um desejo de desabafar. Disse para ela, entre soluços e lágrimas que nunca abraçara meu pai antes. Ela chorava também. Aí, acordei.
O relógio despertou, me avisando que era chegada a hora de me arrumar para a ginástica. Levantei-me preguiçosa, fui até a varanda e percebi uma chuva fina. Não haveria aula, com certeza, já que os exercícios são feitos ao ar livre. Voltei para a cama e me aconcheguei. O edredom, ainda quente do meu corpo. Acordei mais tarde com o sonho impregnado em minha memória. Aproveitei para fixa-lo em minhas anotações, como faço agora, antes que ele se dissipasse. Se começasse dizendo que contaria um sonho, ninguém provavelmente, teria lido o que acabo de escrever. Para mim, essa "viagem" ainda que em sonho me fez reviver. Foi como se, de fato, tivesse me encontrado com aquelas pessoas queridas: meus pais, minha avó e meu tio, não menos querido. Que venham outros encontros como aquele...!
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