sábado, 13 de junho de 2015
Tirando o pé do acelerador.
Aprendi a dirigir por pura obrigação. Necessidade, mesmo. Morava num bairro residencial em que não havia ônibus, a não ser que se andasse muito ou descesse uma escadaria que ia dar na autoestrada, onde os coletivos circulavam. Esta, condição perigosa, além de cansativa. Táxi também seria uma possibilidade muito cara. A dita "Cidade do aço" foi meu lar por uns quinze anos. Meu filho mais novo nasceu lá, entre fumaça de todas as cores e muita, muita poluição. Enganava-me, tentando acreditar que acabaria gostando de lá. Não aconteceu. De bom, tenho as melhores amizades que pude conquistar. Felizmente, apesar dos pesares, nos mudamos pra Niterói, cidade que sempre amei, onde passava férias na casa do avô materno, desde menina e moro hoje. Tive momentos bons e outros nem tanto. Hoje, deixei o carro fora dos meus planos de vida. Detesto dirigir. Acho que se tornou um exercício de verdadeira acrobacia e que só os mais aplicados ao volante conseguem transitar com alguma segurança e sorte. Virou uma guerra de loucos, perambular no trânsito caótico desta e de outras cidades e também nas estradas esburacadas do país, porque nosso suado dinheiro, pelos escorchantes impostos, voou para outras plagas, países vizinhos ( alguns até mais afastados) e que ganharam vantagens enormes, muita grana, que financia obras que deveriam, sim, feitas aqui, para o povo cansado e sofrido do Brasil. A violência, antes, parecia mais distante entretanto tem se alojado em todas as partes. Havia lugares perigosos e que deviam ser evitados. Não é mais assim. Vemos, a todo momento, notícias de assaltos, arrastões, sequestros relâmpagos e todo o tipo de violência contra os cidadãos, em ruas nobres, calmas. Antes, podíamos, com certa tranquilidade, ir ao mercado, dar voltas pelas lojas ou entrar em um banco pra trocar um dinheirinho. Não dá mais. É com muita oração e fé em Deus que saímos com a esperança de voltarmos pra casa. Fico adiando o que preciso fazer, cada vez mais. Ando a pé, na maioria das vezes em que saio. Táxi, só à noite pra levar ou buscar o neto . Ônibus, também costumo me valer deles ( agora, com cartão de idosa, melhor ainda) porque meu netinho acha muita graça em "viajar" nesta condução. Olhamos o mar, os catamarãs passando pela baía, as pessoas caminhando pelo calçadão. Há um artista, meu amigo e professor de pintura, que costuma ficar aí, exibindo seus magníficos quadros, com um chapelão de palha que o protege do sol e sempre com sorriso nos lábios. Meu netinho adora quando, ao passar por ele, grito seu nome e aceno pela janela do ônibus. Tenho, contudo, evitado aglomerações, andar a esmo, contemplando as vitrines. É como fazia, tirando o pé do acelerador e freava o carro ou porque o sinal ficava amarelo, indicando cautela, ou porque alguém mais desavisado atravessava a rua. Tirei de vez o pé do acelerador. Estou na fase de sinal vermelho. Desejo, veementemente, que seja só uma fase, culpa de um governo incompetente. Que seja substituído por cidadãos honestos, decentes e bem intencionados, que empreguem o nosso dinheiro onde deveriam. Ponto morto, é a possibilidade de agora.
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