Hoje, calor escaldante, arrisquei-me e fui ao mercado. Precisava ir, faltavam algumas coisas imprescindíveis para uma pequena ceia no Natal. É quando me reúno com os filhos e o pai deles. Acho importante, pelo menos nesse dia. Deixei as compras feitas e as confiei ao mercado que se incumbira da entrega mais tarde, já que não haveria ninguém em casa. Segui pelas calçadas e difícil ver alguém tranquilo, com uma aparência calma. A sensação é que todos cumprem um ritual obrigatório: as compras de Natal. Caminhei um bom pedaço de chão até alcançar a loja onde meu cartão de crédito me socorre numa compra maior. Escolhi as peças de roupas para meu neto e um brinquedo também. Antes, passei por uma loja onde tudo costuma ser de qualidade, mas o preço é um escândalo. Comprei um pijama de calças compridas, de malha, tamanho GG. É a mania do filho mais velho- não abdicar de um pijama. Difícil achar. Estava caro mas meu primogênito merece e não faz a menor questão de roupa nova, mas do pijama ele gosta. O último, estava em estado deplorável, sem elástico na cintura ( que já coloquei) mas os fundilhos da calça...sem comentários. Já falei demais desse pijama. Volto a dizer que andei um caminho de sol brilhando forte, em torno do meio dia ou mais. Entrei na loja, verdadeiro oásis, ar refrigerado maravilhoso. Do neto, encontrei tudo o que precisava. E finalmente, andando entre todas aquelas "angustiadas pessoas", parei na fila para idosos, gestantes e deficientes. Uma das poucas vantagens que a idade traz. Mas, aqui pra nós, velho é muito lento até pra pagar contas, então a demora não é pouca. Atrás de mim, se postou uma jovem, jovem mesmo e, logo outra "idosa" já a olhou com reprovação dizendo: "- aqui é fila para idosos!". A moça retrucou dizendo que estava grávida. E a velha, antipática, pediu desculpas, dizendo que não havia percebido.Até aí, nada. Espírito de Natal? Zero. Pra inglês ver... Então ouvi a mesma moça, do alto de sua prenhez, falando ao celular, inevitável escutar a conversa que ela também não fez o mínimo esforço pra ser discreta e dizia para a filha ou sei lá quem:" - Pergunte à sua avó se ela vai querer o chester que já comprei para ela, e fale que ela não precisa me ajudar em minha casa!" E continuou ainda dizendo que ela, sua mãe ou sogra, não sei ao certo, já que ela não explicou, sabe como me irritar!... Arrematou. Esse o amor fraterno que Jesus tanto pregou? Pra que tanta compra, e tantas ceias e comemorações? Por que as pessoas se esforçam, andam pra lá e pra cá, satisfazendo os desejos e "sugestões" de presentes? E ainda nos espantamos com guerras entre povos, que arranjam motivos os mais diversos e incompreensíveis para se matarem, usando toda a violência possível e as mais caóticas, se no Natal, as pessoas se agridem, se enervam por causa de um detalhe, num jantar, onde devia imperar o carinho e amor? Daqui a pouco vamos assistir ao outro espetáculo, no fim de ano, quando todos querem apreciar os fogos de artifícios de fim de ano, no Reveillon. E a alegria verdadeira, espontânea, onde se escondeu? O brilho maior, que vem de dentro, e não de balsas no mar, espargindo um espetáculo majestoso, deveria ser a tònica. Mas vai entender a humanidade!!! Quantos gastos em supérfluos, enquanto assistimos pela TV, de qualquer lugar, nos celulares, tablets e outros meios de comunicação, que há muita gente morrendo, desassistidas, sofrendo dores incríveis e sem atendimento neste mesmo Natal e Reveillon que se aproxima, quando as autoridades, se desculpam com frases de efeito e esfarrapadas pela péssima qualidade de vida das pessoas que continuam nas filas, desta vez, para esmolarem um empréstimo no banco mais próximo, sem a metade final do décimo terceiro, porque os governantes não podem cumprir com seus deveres! Será que Papai Noel pode nos acudir? Então, juntem-se a mim e gritem bem alto: " Socooorro!!!
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