quarta-feira, 6 de maio de 2015

No espaço sideral.

O mundo deu voltas e numa delas eu despenquei! Parece que estou no espaço sideral, Não posso fazer nada para retornar...Sinto-me assim. As possibilidades me são negadas. Penso tanto em tomar atitudes, em dizer as coisas, gritar, mas sei que nada adiantaria. Parece que ficou emperrada a máquina da vida. Estou desistindo do meu livro. Foi pretensão achar que seria capaz de editar um livro. Que as pessoas fossem me ler.
Tenho lido horrores. É a única coisa que me mantém, que me distrai. Quanto mais leio, mais me dou conta de quanto tempo perdi. Quanta informação, quanta coisa não sabida. Encontro-me meio anestesiada diante do que vem acontecendo. Amargo derrotas e decepções, que parecem não ter fim. Antes, havia todo tipo de situações mas tinham um tempo, davam trégua. Não como hoje. É avassalador. O gigante do ódio vem com suas manoplas me massacrando. Quer me roubar as  boas intenções. Quer me mostrar que não vale a pena ser gentil, ser solidária, ser melhor. O que é isso? Não vou me deixar vencer ainda. Já sei que ditar normas de conduta e ser o mocinho bonzinho da história não atrai ninguém. Não chama leitores. O mal impregnado em nós é real. Incluo-me nessa fauna dita humana. Como lidar com um corpo que ainda anseia, que tem desejos e sonhos? Como quebrar, dobrar esses sentimentos que me acometem constantemente. Ficam buzinando nos meus ouvidos.
Uma reunião de mulheres inteligentes, cultas, vencedoras - via pela televisão. Costumo acompanhar as opiniões, me inteirando do mundo moderno. Da visão feminista e também feminina, por que não?  A maioria delas se vangloriando dos muitos machos, dos muitos casos, homens que passaram por suas vidas. Como os homens fazem em relação às mulheres. Não me enquadrava naquela situação. Não as reprovava, pelo contrário, mas não me sentia capaz de ser como elas. A lógica aponta direitos iguais. É justo. Mas não é a minha praia. Incluo amor num relacionamento. Sexo, importante, sim, fundamental mas o amor não pode ser excluído, não por mim.
Quando falo de desistir do livro, não é inteiramente verdadeiro. Não quero que seja. Lá no fundo, há uma senhora sentada, esperando outra decisão. Às vezes, se deita, pra não cansar. Ela se veste de verde. Espreitando meu pensar, duvidando das minhas falas porque sabe que é imortal. Ela é insistente, melhor persistente. Sou sua amiga, apesar de chata. Mas é companheira. Aguenta mau-humor, falta de idéias, falta de tesão. Quem sabe vai me acudir, dando uma corda para eu me agarrar...do espaço sideral, consigo visualizar, ainda que distante, a pontinha dela, balançando na vastidão escura do meu quebrantamento. Senhor do meu destino - parece título de novela. Queria acreditar quando penso que posso mudar as coisas. Seja positiva, Seu desejo vai ser atendido. O "gênio da lâmpada" vem me socorrer, aliado às forças universais. Somos únicos, podemos comandar com a força do nosso pensamento. Cansei de ler e de me esforçar. Não é no seu tempo, dizem. Quando então? Fico apreensiva pensando no tempo. É um inimigo. Porque não posso acompanhá-lo. Não com a pressa que ele tem. Não espera ninguém. Passa o  bastão com cara debochada, com um esgar cínico dos vencedores. "Peraí,sô"! Pensa que consigo manter o seu ritmo? Afinal sou uma senhora! " Mas não está morta"! Grita ela para mim. Que confusão! De quem você está falando, do tempo ou da senhora de verde? Dela, claro! Aquela que me acena, com um sorriso fraco, mas constante, com uma expressão suave no rosto , sempre benevolente, sempre carinhosa. Deve ser parente próxima da Utopia. Mas ela é quem de dá alento, nas piores horas. Muitas pessoas são batizadas com o nome dela. Homenagem, vocês já descobriram de quem falo? Acertou quem soletrou bem devagar, juntou as sílabas e gritou: ES-PE-RAN-ÇA!!!

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