segunda-feira, 4 de maio de 2015
FÉRIAS DE JULHO.
Penso com imensa saudade nas férias, quando a cidade, situada num vale, quente o ano todo, começava a se preparar para receber um pouco do inverno. Além de tudo, a Festa de Agosto já se prenunciava. Era quando os rapazes vinham de Niterói, do Rio, aqueles netos e filhos de pessoas abastadas que iam estudar num centro maior, com melhores chances, em faculdades que não existiam por lá. O prefeito da cidade era avô de alguns desses moços. Eram cinco ou seis. Todos muito bonitos, de uma ninhada bem sucedida. Eu, do terraço de minha casa na Fassbender, olhava-os passar, juntos com o pai, advogado famoso em Niterói e amigo do meu pai. Menina-moça me encantava ao vê-los, principalmente, os dois mais velhos. Um era alto, bonito, com aqueles dentes brancos que sorriam para mim, de modo especial. Eu achava muita areia para meu caminhãozinho. O mais novo, era mais baixo, lindo, moreno, parecia a Antônio Banderas, dos filmes de hoje. Nos bailes eles se insinuavam para mim e costumavam dançar comigo. Eu ficava em dúvida entre os dois,ambos me impressionavam. Tímida me limitava a sorrir para eles, pouco falava. Havia também as chamadas "brincadeiras", reuniões promovidas na casa de quem tivesse uma "electrola" que tocasse os sucessos de Ray Coniff ou Metais em Brasas, Bert Kaempfert e tantos mais...Tempos de ouro para mim. Foi um sonho que soube desfrutar. Não sabia que aquela seria a melhor fase de minha vida. Sou nostálgica, sim. Se pudesse, voltaria no tempo, como nos filmes onde máquinas nos reportassem a outras eras. Os rapazes bebiam muito, mas não havia a profusão de drogas, de alucinógenos, como hoje. Bom Jesus ainda é lugar de muita bebida. A distração maior é se frequentar bares. Antigamente, alguns se sobressaíam na cultura. Dois governadores saíram de lá. Havia um grande poeta, Sr. Athos Fernandes. Muitos políticos também, alguns perseguidos na Repressão, época da Ditadura. Eu não prestava atenção a isso. Queria mais era dançar e namorar, como a maioria das meninas da minha idade. Depois de cada baile, nos reuníamos, sentadas no muro da casa de minha tia, ou em frente, na mureta do meu edifício. E o rebuliço e fofoca comiam soltos. Meu primo, muito festeiro, costumava nos tirar para dançar ao perceber que éramos ameaçadas com um "chá de cadeira". Assim como os amigos o faziam. Geralmente, não acontecia, sem nenhuma modéstia, costumava ser bem requisitada para uma rodada nos salões. Sempre fomos muito unidas eu e Vania, minha irmã. Íamos juntas ao cinema, passear na praça e aos bailes, sempre acompanhadas de grande número de amigas. Eram domingueiras inesquecíveis no único clube da cidade, o Aero Clube. Minha irmã era muito bonita, mas tinha um gênio forte e achava os moços da cidade vizinha mais interessantes que os da nossa. Eu, não. Tive alguns flertes com os vizinhos mas nada sério.
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