quinta-feira, 18 de julho de 2013

VIDA VERSUS COMPUTADOR


O limite para a paciência esgotou-se. Não se pode mais  viver sem esses aparelhinhos infernais, cada um com um nome diferente que não consigo decorar. Na verdade, praticamente, não há  comunicação com alguém sem depender das geringonças via internet, satélite, sei lá mais o que. Ontem, caiu um pedaço dessas “maravilhas” lá nos confins do Maranhão, que o homem joga ao espaço, em nome da modernidade, do conforto (?) através das ditas geringonças, que nos proporcionam “bem-estar”, facilidades e tudo o mais. Não é de bom tom  dizer que  “no meu tempo” não era assim... era bem melhor (tenho certeza), afinal ainda estou aqui, ainda que com a carcaça em plena decomposição e caminhando para o inevitável. Ui! Ainda bem que há livros, com folhas de papel, com capa, que podemos  segurar, abrir, pegar os óculos (amigos dos idosos) , usar marcadores( no meu tempo de escola, fabricávamos esses marcadores na aula de desenho, lembram?) quando precisamos interromper por algum motivo, como se costumava fazer no meu tempo ( me desculpem, mas como era melhor!) nos fazem acreditar que existe uma forma sadia e maravilhosa que é a boa leitura de um livro. Hoje, minha rotina virou essa: trabalhar muito, ler bons livros (graças a Deus!) e preencher os momentos de solidão com coisas úteis, como por exemplo,  arrumar gavetas, doar o excesso de tralhas, de roupas (essas que guardamos para um possível evento que nunca chega); via pela televisão uma entrevista com a Danuza Leão ( antes, já havia lido o seu livro ) que  dizia justamente sobre o hábito saudável de nos desvencilharmos do que não faz a menor falta e que só serve para ocupar espaços. Ontem, fiz isso. Costumo também ficar olhando a obra enorme que se avolume bem diante dos meus olhos pesarosos e explico: não é só o fato de estar sendo construído um edifício bem em frente ao meu, não. Simplesmente, pelos meus cálculos, daqui a um pequeno tempo, haverá uma barreira gigantesca que cobrirá o meu por do sol. Muita gente pode não entender o que significa  para  mim  perder a visão do nosso astro rei ( ou será estrela?) que nos dá luz e calor. É uma das coisas que me encantam, quando vai caindo  a tarde e acontece esse esplendoroso, espargir de cores, de luzes, com nuances majestosas ( vou ver no dicionário se é com j ou com g);acertei! Majestosa é com j... Mas, continuando, aí me pego acompanhando o trabalho intenso (e barulhento) dos funcionários da obra. Parecem formiguinhas, se movendo, cada um com sua atribuição, além das poderosas máquinas que carregam pesos inimagináveis e as betoneiras e caminhões que se postam estacionados, atrapalhando o caótico trânsito. E é uma distração a mais. Vejam a  que  ponto cheguei! Outro dia, pedi ao síndico do meu prédio a planta do edifício do qual estou falando (sei que ele comprou uma das unidades) para conferir se realmente o edifício em questão vai atrapalhar o que considero um dos meus agradáveis momentos: ver o por do sol. Ele, gentilmente, me emprestou o folder com todas as imagens e dimensões. Fiquei arrasada, constatando que o “monstro” vai me tirar a privilégio de ver um espetáculo tão grandioso da natureza. Sinto-me lesada. Tentei a janela da cozinha para ver se o estrago não vai ser completo. Talvez ainda possa com um pequeno esforço e esticando o pescoço, admirar o que Deus nos dá de graça. Mas há uma opção ainda: o famoso computador. E eu me entrego à busca ansiosa por uma mensagem, um e-mail que me fará feliz. Mas o danado, friamente, manda, sem nenhuma cerimônia, a mensagem dizendo: “não há nenhum e-mail em sua caixa de entrada”, mais ou menos assim. E eu corro atrás, de outra tarefa, que preencha o vazio que me acompanha de perto. Penso que deveria agradecer, porque  tenho coisas muito importantes, sim. Sei que tenho. Meus filhos com saúde, meu neto querido ( que consigo ver com muita dificuldade, devido a alguns  empecilhos que prefiro não comentar agora) mas me sinto recompensada quando o abraço e ouço-o me pedindo para brincar de “pego”( prego) uma brincadeira que temos, quando o caminhão dele passa na estrada e fura o pneu! Viro criança e o abraço e beijo a cada gracinha dele. Vou vivendo assim.

Um comentário:

verinha.com disse...

Excelente! Também me vejo assim; e sabe o que eu gosto de fazer? Ficar olhando as luzes acesas nos apartamentos ou casas, tentando imaginar o que estarão fazendo. Serão felizes? As vezes em casas lindas as pessoas são tão sofredoras... ou em pequenos cômodos há tanto amor e companheirismo...