Não é pegadinha. Nem brincadeira.
Só realidade comprovada. Desde muito cedo, ainda menina, adolescente, não
importa, apenas sei que sempre questionava o fato de como seria possível alguém
viver sem amor. Não falo do amor materno, de avó, de amiga, de solidariedade,
de irmãos, não. Falo, sim, do amor homem\ mulher ou mesmo do amor homossexual,
não importa, já que hoje se escancarou esta forma de amar. A questão não é julgar, não é disso que quero falar, até
porque não sei nada desse amor, já que me limito a tentar entender que não se
nasce como se quer. Apenas se é do jeito que Deus mandou. Como declarou numa
entrevista recente uma pessoa homossexual e disse com todas as letras que
ninguém deseja sofrer preconceito e ser visto como diferente. Então o que me
faz pensar em não ter um amor é o fato de me encontrar nesse estado, que
chamarei de ausência de amor. É isto. Talvez, depois de todos os longos anos de
vivência (já que me vejo na reta final), é a primeira vez que não tenho ninguém
ocupando meus pensamentos; meus desejos, acho, estão completamente amortecidos,
ou melhor, adormecidos. Quando acontece uma separação, o sentimento que se tem,
na grande maioria das vezes, é que o mundo vai acabar, que seu sofrimento não terá fim, e que a ausência do ser amado faz de você
o mais infeliz dos seres vivos. Já passei inúmeras vezes por isso. O “Meu mundo
caiu”, de Maysa Matarazzo encaixava perfeitamente à situação. Mas passa. Constatei
isso. Passa, sim, mas com o aparecimento
de um novo amor, de um substituto à altura de sua dor, que chega para suavizar
e depois aplacar o sentimento de perda,
tornando-o restabelecido e trocado por um outro muito mais atraente, um novo
amor, digamos assim. Ultimamente, me pego pensando nisso. Ontem, comentei com
minha psicóloga. E disse mais: reverti o quadro, empregando uma técnica que não
tem nada de novidade mas que, pela
primeira vez na vida, adotei e tem dado certo: o trabalho. Mas não só o
trabalho. Há também muitas outras atividades que me salvam do vazio e da
solidão. Não completamente, mas posso dizer que me adaptei à nova realidade.
Uma mulher sem homem. Uma mulher independente deste sentimento maravilhoso e
corrosivo que é o amor. Palavras cruzadas, teatro, cinema, lavar roupa, passar
roupa ( essa, uma das piores atividades mas
que já aderi ao exército de funções salvadoras), e muitas coisas
mais...O amor ao meu neto, que me deixa tão feliz quando junto dele, quando
sinto suas mãozinhas nas minhas, ou lhe dou banho, ou preparo sua comida, ou
lavo suas roupinhas. Mas o que me surpreende é o fato de estar meio que
vacinada pela desilusão, fazendo das perdas uma escada para a experiência e
antídoto para a doença que nos traz um relacionamento amoroso. É meio sem
graça, sim. É vida com gosto de “sem tempero”, melhor que salgada demais ou
apimentada em excesso. E me vejo discordando do autor que diz: “o importante é
que emoções eu vivi”... Tudo no tempo certo. Aposentadoria da paixão,
previdência para o amor já tão gasto e desgastante, aposentadoria, sim, mas não
para a beleza do amor verdadeiro, da sensibilidade, esta, cada vez mais aguçada
e viva, imortal mesmo.
Um comentário:
Como eu sinto inveja de vc! Que facilidade para colocar no papel tanto sentimento, tanta verdade! Continue assim, não pare nunca mais. Muitas mulheres vão se identificar com suas crônicas, eu principalmente.
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