Esta música é uma daquelas que amo ouvir. Linda. Triste. Mas o título (em inglês) resume o que acontece comigo. É uma sensação de que, apesar da calmaria, do não sofrimento, ergueu-se um vazio em frente a mim. Melhor me rasgar de ciúme, melhor me preocupar com a ausência do outro, melhor me achar sempre enganada? Há uma contrapartida: mais vida, mais desejo, mais vontade de estar bonita, arrumada, de comprar vestido novo, um sapato... E, de novo, me é tomado o direito de ser feliz. Pelo menos por um tempo, como costuma nos dizer a vida. Já me enganei tantas vezes, já criei expectativas falsas, querendo me proporcionar o que, inconscientemente, estava explícito, por mais paradoxal que seja. Não era para dar certo. Não era a pessoa que eu havia moldado, pois o que aconteceu foi exatamente assim. Deixei que meus sonhos de menina atravessassem todo esse tempo e viessem me surpreender agora. A adolescência fica impregnada de maneira tão forte, com as grandes descobertas, com o desejo de afirmação, com o aparecimento do amor, que nos é quase impossível abolir aquelas expectativas em relação a um futuro que desejamos, ardentemente, seja um conto de fadas. Pelo menos, para mim sempre foi deste jeito. Depois de uma existência coroada por decepções, ainda me foi dada a possibilidade de sonhar novamente. E, aí, mais frustrações. Esperneei e tentei me iludir mais uma vez. Levei um tapa na cara. Susto? Claro que não. Apenas adiei o que sabia iria acontecer. Não partiu de mim a decisão. Nunca decido, na verdade, só a reação que tenho às vezes é tão violenta que atropelo o bom senso e me vejo perdida; depois da explosão, me pergunto se fui tomada por um espírito de loucura ou, muito ao contrário, de extrema lucidez. Analiso se vale a pena jogar tudo pro alto e me deixar arrastar pela vontade de estar de novo acompanhada. O preço a pagar não vale a pena, sussurra a lógica. As escolhas que fiz me fazem pensar que há, sim, um carma. Por que me sinto atraída por pessoas tão diferentes e tão insanas? Outro dia, o telefone tocou e ouvi apenas esta música, “Alone again”. Não havia ninguém do outro lado, mas, sim, a mensagem cifrada pela canção. O que seria senão uma declaração de amor. Incontestável. Gostei de escutar. A carência de afeto nos faz tolos. Faz de nós, também, inconsequentes. Não quero mais aquele tipo de sofrimento, que tira a razão e nos transforma em fantoches, delirantes fantoches em busca do tempo que se foi. Agora, restou a amargura de uma vida desperdiçada. Tenho certeza do que não quero. Mas contraditório é o que está encravado naquela parte doida, límbica que faz o comportamento normal se transformar em um serzinho sem razão, que quer viver o impossível.
Um comentário:
BACANA, NEUZA.
GOSTEI MESMO!
CHICO SALLES
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