Que fosse um passeio no centro do
Rio, com direito a almoço na Confeitaria Colombo ou mesmo uma ida ao teatro, na
livraria, eu já sabia, que estava combinado. Mas que fosse um momento de tanto
aconchego e felicidade, não. A idéia é deixar registrado antes que a “figura
inexorável, certeira” venha me avisar que meu tempo se esgotou e estarei
partindo para outras plagas... Mas não quero falar disso, não mesmo. Fomos
criados eu, meu irmão e irmãs bem próximos aos primos, filhos do querido tio
Modesto. Eram fazendas vizinhas e estávamos por isso, sempre unidos, a escola
da roça, a mesma. Eu e Regina, com idade igual, separadas por apenas dois meses
de diferença. Voltando à idade atual, melhor não dizer qual, vejo-me andando pelas ruas, no centro do Rio,
esta cidade que não canso de olhar com olhos de imensa admiração e de uma
nostalgia surreal, pois que tenho saudades de um tempo quando talvez eu ainda
estivesse sendo “bolada” pelo Criador, antes de dar as caras por aqui. Então,
preciso dizer do sentimento positivo, agradável, reconfortante que me assomou
naquele passeio, sem nenhum compromisso com horários ou com programação
pré-estabelecida. Primeira surpreendente constatação a descoberta de um bem-humorado e inteligente
marido da minha prima, o Sergio. Não tivemos uma convivência muito grande. Ela,
a prima querida, meio irmã, já disse e de longos anos, da infância,
adolescência, moças (com as descobertas dessa época intensa, principalmente do
amor) sempre juntas, unidas não só pelo sangue, pela família mas acostumada a nos misturarmos de
maneira sadia, verdadeira. E era assim. Veio o tempo, as mudanças aconteceram,
como sói acontecer com os seres desta Terra. E nos afastamos, pela distância,
pela vida que segue, pelos caminhos que vão nos
apartando. E, ontem, senti de novo a
presença querida desta prima, pessoa autêntica, bonita e ao seu modo sincero e
descontraído, carinhosa. Seu marido, um brilhante e agradável papo, rememorava,
à medida em que caminhávamos por aquelas ruas antigas, a
época em que viveu nesta cidade, maravilhosa mesmo. Não éramos só eu, Regina e
Sergio naquele passeio. Minha irmã, a Vania, que costumo brincar nomeando-a
“Papa-léguas”, como o do desenho, nos acompanhava. Ríamos, querendo entender da
sua pressa, como se tivesse um encontro marcado, acho que buscando não sei o quê, mas fazendo da correria o
passo mais certo. Saímos de Niterói em direção ao Rio optando pela Barca ( que,
muito oportunamente ,não pagamos- uma das poucas vantagens da “melhor idade” - eu
diria “pior”...) e aí estávamos, quando a única intenção era a de um passeio
agradável. E foi, sim. Como é bom
conviver com gente como a gente. Como é bom ouvir da prima que daria um
livrinho para o meu neto, pois queria presenteá-lo. E, melhor ainda, sentir que
nossa intimidade não foi devorada pelo tempo. Ela, sem nenhum constrangimento,
achou caro o citado livrinho de histórias que falava dos “ Três porquinhos” e
suas dificuldades com o lobo mau. Resolveu procurar noutra livraria. Achei tão
espontânea e franca a sua atitude; vi
naquela linguagem sua a confiança em me dizer uma coisa tão simples e que às
vezes, nos esquecemos de usar que é a verdade, sem cerimônia, sem subterfúgios.
Ouvia do Sergio que ela, Regina, tinha três fobias: cachorros, água e carros.
Verifiquei, ao atravessarmos a rua, que ela segurava minha mão, um pouco
receosa na travessia. Eu também, timidamente coloquei a mão em seu ombro.
Faltou um abraço mais caloroso. Sinto apenas que ainda temos uma tímida maneira
de expressar nosso carinho uma pela outra. Não fomos criadas com essa
demonstração física. É meio familiar, meio, não, totalmente. Só sei que, hoje,
sinto uma alegria muito grande pelo reencontro com a prima-irmã querida e já
sinto saudades. Que venham outros passeios
pelo centro do Rio ou por onde quer que aconteçam. Voltamos de ônibus. Quando
passávamos pela Praça da República, avistamos patos, e alguns roedores, não me lembro se
cutia ou quati, a natureza bela e exposta, realçando mais o nosso dia alegre. O
pôr do sol, que é uma fascinação para mim, coloria aquela tarde feliz. Regina e
Sergio, um casal de verdade. Que Deus abençoe vocês. Que Deus nos dê a
oportunidade de estarmos juntos de novo. Em tempo: recebi um telefonema da
Vania me contando que, depois que desci do ônibus, ela, Sergio e Regina
estiveram numa outra livraria, onde a prima querida comprou o livrinho que
prometera ao meu neto, com certeza, com preço mais acessível e justo. Fiquei
emocionada. Queria que ela soubesse disso.
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