Acordei mais cedo. Normalmente,
durmo bem tarde; entretanto, ontem, o sono me derrubou logo depois da
novela. Hoje, não que estivesse muito animada, mas já que estava de pé, resolvi
fazer algumas coisas ( chatas) inadiáveis: lavar a louça acumulada de ontem,
colocar roupa na máquina, guardar as lavadas... Em seguida desci para minha
aula de ginástica na pracinha, próxima de onde moro. As “velhinhas” se
assustaram com o tempo frio, e com o prognóstico de possível chuva. Não
compareceram. Voltei para casa, pensando que fora melhor pois
eu não estava lá muito bem. Passei pela mesma fila para o
recadastramento do título eleitoral, que se postava em frente ao estádio Caio
Martins. Pessoas cumprindo seus deveres, trabalhadores, alguns idosos, gente
simples a maioria, todos na esperança de que seu voto possa mudar esse país. A
descrença também na cabeça de muitos, como eu. Mas lembrar de políticos ( salvo
raríssimas exceções) me causa transtorno emocional, um incômodo grande,
principalmente quando via pela televisão a chegada do nosso querido Papa
Francisco, recebendo cumprimentos desses mesmos políticos que deveriam estar na
cadeia, ou pagando pelas falcatruas cometidas. Pena que ele, representando a
Igreja, tivesse que seguir normas e protocolo
impostos e não pudesse como fez Jesus, espantar os vendilhões do templo de
Deus. Apenas um era digno de estar ali. Todos devem imaginar a quem me refiro,
até porque foi o único a ser aplaudido. Sintomático. Só que não é esse o assunto que me leva a escrever
esse texto. Como dizia, voltava da frustrada ida à aula de ginástica. Dobrei a
esquina e caminhava observando as poucas casas que ainda teimam em ficar de pé
na rua, já “infestada” pelo número desproporcional de edifícios altos, que não
deviam estar ali, já que é uma rua
pequena. Olhei para a casa, com uma
varandinha na frente, sustentada por um arco, que lhe dá um certo encanto. Um carro estacionado, ladeado
por um muro todo coberto pela trepadeira verde, com flores delicadas, miúdas,
de cor rosa. Veio-me o nome pelo qual conhecia aquela plantinha viçosa:
amor-agarrado. Não deve ser científico; mas me reportou a uma época da
infância, mais exatamente o muro da casa da minha tia, onde floria o ano todo.
Aí, também, pensei na dona daquela casa, que já não se encontra entre nós.
Fiquei sabendo outro dia, apesar de não a ter conhecido. Acho que alguém que
fora sua amiga havia comentado, num desse encontros de professoras, que costumo
frequentar. E pensei, naquele momento, que ela fora jovem, teve sonhos, planos,
amara, se casara e vivera uma vida inteira naquele cantinho, onde alguém devia
estar sentindo sua falta. Senti saudades de uma pessoa que nunca vi. É normal
isso? Muitos acharão que não é. Sei que ando sensível demais. Não sei se é bom.
Amar as pessoas é, sim, um ato que nos foi ensinado pelo Criador, representado
pelo filho ilustre, humilde e santo, que não discriminava ninguém. Emocionei-me
ao ver a figura imponente do Papa Francisco, paradoxal à
postura singela, franca. Impõe a nós respeito e o torna merecedor de
todo amor que a ele é devotado. E pensei na plantinha que combina com o jeito
do povo brasileiro: “amor – agarrado”.
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