segunda-feira, 15 de julho de 2013

Dois amores


       As coisas mudam. Mas em que momento isso acontece? O dia vira noite, quando o sol se põe, porque a Terra gira: óbvio. E os sentimentos? Quando e porque mudam? Existe um exato momento ou é gradativo como o dia virando noite? Não consigo precisar como aconteceu comigo. É imperceptível ou há um pequeno sinal? Há.

       Quando o meu amor de menina se aproximou, tive a sensação de que ia morrer de alegria. Emoção  única, misturada com ansiedade. Não saberia o que dizer. Como me comportar. Esperei tanto por aquele momento, que não parecia real. Seria um tempo curto. Ele estava indo embora estudar. Queria ser engenheiro. Também não sei o exato momento, quando começou o meu amor por ele. Sei que  foi um sonho bonito. Durou muito tempo até que,  finalmente, ele me notasse. Eu o quis tanto que, parece, o atraí. Por que, entre tantas mocinhas tão ou mais bonitas, ele acabou se interessando por mim?

       Depois do encontro tão esperado, tudo começou a mudar. Quando, não sei. A primeira lembrança que me vem, nitidamente, é essa: nós dois na praça. Era manhã de domingo, depois da missa. Estávamos sentados numa mureta, numa ruela que descia até a pracinha. Do outro lado, na esquina, o velho Big Hotel. Há pouco tempo, havia se mudado uma família, se instalando na primeira casa, no alto dessa pequena rua. Um dos rapazes,  descia em direção à praça e passava em frente a nós. Cumprimentou-nos, sorrindo. Meu coração deu um salto e me senti, de repente, desconfortável. O que estava acontecendo? Não sei. Um sentimento estranho se  apossou de  mim. Parecia estar presa. Senti uma sensação de angústia. De culpa. Por que me perturbava tanto o fato de estar ao lado de quem eu, antes, tanto cobiçara? Minha vontade era não estar ali. Santa ingenuidade de menina,  me vi como se estivesse presa a um compromisso. Com aquela idade? Pobre de  mim... Não me entendia. Queria estar livre. Invejei minhas amigas, passeando descontraídas, pela pracinha.
  Ficamos de escrever cartas um para o outro, afinal, ele estava indo embora e éramos namorados.
  Não senti sua falta, depois da partida. Nos meus pensamentos outra pessoa já ocupava todos os espaços.

 

      

      

 

Nenhum comentário: