Ela sempre queria atenção. Estava errada? Não. Então não é defeito querer atenção? Não, não é. Todos esperam conseguir um mínimo desse desejo realizado, donde concluo, ela, realmente, não pedia muito. Então, qual o problema com aquela mulher? Insatisfeita. É, podia ser que ela passasse por uma fase ruim. Carência. Acho que descobri o que queria aquela mulher. A vida lhe batera forte. Ela precisava recuperar o tempo perdido, quando não se sentia amada porque ela não se conformava. Um dia, alguém iria sentir amor por ela. Lia sobre isso e acreditava: quando se quer muito uma coisa, é importante ter a crença de que se vai alcançar o que se deseja. Sim, vou me unir às forças do Universo e tudo se resolverá, afinal, são poderes mágicos, basta querer. E, assim pensando, ela continuou na busca desesperada por um amor. Às vezes, se dava conta de que estava sendo meio ridícula. Como, naquela idade, ainda pensava em ser feliz, em ser amada, em voltar a sentir os prazeres do corpo e, por que não, da alma? Sentir calafrios, sentir emoções, vibrar com a espera do outro, sair para comprar roupa nova e se sentir bonita de novo. Eram pensamentos que a deixavam meio em dúvida. Não seria meio estranho ela ainda ter aquele tipo de desejo? Não era hora de já estar fazendo tricô para o neto e se deliciando com as novelas e programas na TV? Quem sabe, ler um livro bom? Isso mesmo, ela que gostava tanto de ler... Mas aí, acontecia a solidão. Esta, sim, amiga inseparável, que estava sempre presente e lhe dizia baixinho ao ouvido, que não estava bom daquele jeito. Mas eu tenho amigas, tenho os filhos e, ainda de quebra, o netinho que é uma alegria a mais e que me traz tanta felicidade. O que me falta? Sei que sinto um certo medo da vida que se acaba, do momento em que vou prestar contas do que fiz e que não tenho mais todo o tempo do mundo. Estou na reta final. E, com estes pensamentos, ela se sente vulnerável. Se vê meio perdida. Mas o medo não foi sempre a constante em sua vida? Então. Olha para o lado e se compara a pessoas que têm uma carga muito maior. Sente-se vil, pequena. Devo agradecer por tanto que já tenho. E assim costuma fazer. Mas o amor, aquele sentimento bonito, inebriante, aquele que faz seu coração pulsar, que a faz sorrir aquele riso franco e solto, não está ali. E ela padece desse mal: a ausência de alguém que seja o seu príncipe. Que se danem os que a recriminam, os que a acham fora de propósito. Mas ela conseguiu alguém uma vez. Confessa, entre arrependida e preocupada. Arrependida, por não se ter valorizado mais. E, preocupada, por saber que não terá outra oportunidade como aquela. Por que não acreditou nas palavras dele? Por que não assumiu aquele amor que lhe fazia tão bem? Escapou entre seus dedos, entre uma crise de ciúmes e outra. E agora, como a menininha insegura que sempre foi, fica sem saber o que fazer. A única atitude coerente que teve foi rezar, pedindo a Deus que lhe dê paz. Que se acostume a viver sozinha. Tem tanta gente que consegue, por que não ela?
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