NA PRACINHA.
Acordo cedo, geralmente, apesar de dormir tarde. Tenho bom
sono. Vejo alguns programas na TV ou leio. Depois de percorrer uma dúzia de
médicos, afinal, para cada pedaço do nosso corpo, há um especialista. O que
aprendemos nos tempos idos do primário ou ginásio, que nosso corpo é dividido
em três partes: cabeça, tronco e membros, não é mais verdade. Hoje, mais do que
nunca, se modificou um pouco; quando procuramos um doutor para aliviar nossas
dores, temos que vasculhar a lista: Angiologista, cardiologista, pneumologista,
endocrinologista, ortopedista, etc, etc, etc... só para citar alguns especialistas. É verdade que
há também o clínico geral, além do geriatra e da ginecologista. Então, dizia
eu, procurava um médico para me elucidar
uma dúvida. Fiz, no dia anterior, muita extravagância, o que resultou numa dor
na coluna insuportável, com radiação para o braço esquerdo ( seria um enfarto?)
Também havia a possibilidade de ser pneumonia, ou seria melhor um ortopedista
para ver sobre ossos, osteoporose, ou algo parecido. Acaba que nós, leigos, nos
especializamos ou pelo menos ficamos familiarizados com as indicações médicas, já que são inúmeras as
informações pela Internet e todos os meios de comunicação. Recorri a vários
doutores, como já disse, fiz exames: ressonância, de sangue e me virei de
cabeça para baixo, literalmente. E a bendita dor seguia, sem cerimônia. Coisas
da velhice. Mas, finalmente, o ortopedista me sugeriu (depois de uma não muito
prolongada consulta, para não dizer rápida demais ) que deveria fazer
exercícios, compatíveis com minha idade.
Graças a Deus não me entupiu de antiinflamatórios. Ufa!
Aí, pensei comigo mesma: “- Enfrentar um monte de velhinhos
(como eu, diga-se de passagem, muito de passagem mesmo, que ninguém me ouça, ou
leia), cada um mais bizarro que o outro”...
Finalmente, deixei o preconceito de lado. Acordei cedo, como
sempre e me animei, afinal, era tão perto, numa pracinha a poucos metros de
minha casa. Tenho uma amiga e colega
(professora) que já participa. Resolvi que só iria dar uma olhada, porque mal
não ia fazer.
Cheguei, meio tímida.
Deparei-me com um bando de idosos. Uns, menos
espertos que eu, outros, mais caídos. Enfim, a professora ligou a música
(todas do Erasmo, Roberto, Lulu Santos, por aí). De cara, me identifiquei. Já disse que adoro
música. Aos poucos, fui percebendo que os exercícios não eram tão para
velhinhos, como eu supunha. Uma série de
alongamentos, tudo no ritmo e outros tantos de coordenação motora, usando o
bastão. Tudo muito bom. Entrei no clima totalmente. Saí suada, animada. Passei
a ir todos os dias. Hoje, perdi a hora e teria que correr muito para chegar a
tempo. Fiquei aborrecida, mas, como teria que levar exames para o médico (desta
vez, o cardiologista), achei por bem me
conformar. Quero ressaltar aqui, não sou hipocondríaca, muito ao contrário,
fico aborrecida de ter que ir a tantos médicos para descobrir o mal que me acometeu. Antes que me esqueça:
a tal dor já passou, não tomei nenhum remédio e estou feliz por ter deixado o
preconceito de lado (fazer ginástica na praça, com um bando de pessoas não tão
novas, digamos assim). Espero que amanhã acorde bem cedo para dar tempo de me
arrumar e encontrar os meus mais novos amigos de infância. Em vez de remédios,
alegria, muita atividade física e nenhum
preconceito, pois eu, agora, também faço parte desse time. Ah! Ia me
esquecendo... Sabem quem encontrei por
lá? O meu amigo sol, que brilhava alto no céu, dizem que ele é importante para
fixar o cálcio em nossos desgastados ossinhos. Muita luz e calor ele me trouxe. Principalmente,
calor humano.
2 comentários:
Neuza, estou adorando os seus escritos. Vou divulgar na nossa Turma.
OI, Kátia, adorei eu os elogios...A Leila acabou de enviar um email me elogiando também...Obrigada.bj. Neuza.
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