domingo, 2 de junho de 2013

No ônibus


As viagens, quando voltamos do curso, têm se tornado um momento de descontração.
Eu e meu colega João, que gentilmente me faz companhia, temos sempre muito assunto. E o mais engraçado é que todos do ônibus devem ouvir tudo o que falamos porque o João não tem a menor preocupação em falar baixo. Isto não é uma crítica, só constatação. Mas não somos nós os únicos que falamos alto. As pessoas todas têm o costume de atender o celular, por exemplo. O aparelhinho não tem cerimônia e não respeita ninguém. Então, porque nós devemos nos preocupar em não melindrar os outros ouvidos? Mas o que quero mesmo é contar a última graça do meu amigo. Pegamos o ônibus na mesma esquina de sempre, Santa Luzia com Graça Aranha. Geralmente, não há lugares lado a lado. Então, eu me sentei num lugar e João do outro lado do corredor. É claro que para conversarmos  fica mais distante. Mesmo assim não nos privamos de um bom bate-papo. Então. Ele vinha contando sobre o costume que tem de fazer refeições mais  leves à noite, bem diferente de sua mulher que costuma jantar e muito. Dizia ele da última receita que ele mesmo experimentara. Contou-me que juntou todo tipo de verde e começou a enumerá-los: agrião, alface, aipo, rúcula e outros... Aí, perguntei-lhe: - Fez um bom suco natural? E ele, prontamente: - Não! Fiz uma boa fritada! Coloquei patê, salsicha, temperos e ovos e bati tudo no liquidificador. Fiz uma bagunça danada na cozinha!  Sujei uma meia dúzia de pratos e panelas. Meu sobrinho ainda comentou, disse ele: - Ficou bom, tio!  E João, dizendo entre gargalhadas e exclamações: - É a fritada do crioulo doido! Não podia me lembrar do tom com que ele dizia essas palavras... Repetia isso e ríamos de chorar. João tem uma veia  cômica inigualável!



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