As viagens,
quando voltamos do curso, têm se tornado um momento de descontração.
Eu e meu colega
João, que gentilmente me faz companhia, temos sempre muito assunto. E o mais
engraçado é que todos do ônibus devem ouvir tudo o que falamos porque o João
não tem a menor preocupação em falar baixo. Isto não é uma crítica, só
constatação. Mas não somos nós os únicos que falamos alto. As pessoas todas têm
o costume de atender o celular, por exemplo. O aparelhinho não tem cerimônia e
não respeita ninguém. Então, porque nós devemos nos preocupar em não melindrar
os outros ouvidos? Mas o que quero mesmo é contar a última graça do meu amigo.
Pegamos o ônibus na mesma esquina de sempre, Santa Luzia com Graça Aranha.
Geralmente, não há lugares lado a lado. Então, eu me sentei num lugar e João do
outro lado do corredor. É claro que para conversarmos fica mais distante. Mesmo assim não nos
privamos de um bom bate-papo. Então. Ele vinha contando sobre o costume que tem
de fazer refeições mais leves à noite,
bem diferente de sua mulher que costuma jantar e muito. Dizia ele da última
receita que ele mesmo experimentara. Contou-me que juntou todo tipo de verde e
começou a enumerá-los: agrião, alface, aipo, rúcula e outros... Aí, perguntei-lhe:
- Fez um bom suco natural? E ele, prontamente: - Não! Fiz uma boa fritada!
Coloquei patê, salsicha, temperos e ovos e bati tudo no liquidificador. Fiz uma
bagunça danada na cozinha! Sujei uma
meia dúzia de pratos e panelas. Meu sobrinho ainda comentou, disse ele: - Ficou
bom, tio! E João, dizendo entre
gargalhadas e exclamações: - É a fritada do crioulo doido! Não podia me lembrar
do tom com que ele dizia essas palavras... Repetia isso e ríamos de chorar.
João tem uma veia cômica inigualável!
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