quinta-feira, 20 de junho de 2013

Na pracinha


NA PRACINHA.

Acordo cedo, geralmente, apesar de dormir tarde. Tenho bom sono. Vejo alguns programas na TV ou leio. Depois de percorrer uma dúzia de médicos, afinal, para cada pedaço do nosso corpo, há um especialista. O que aprendemos nos tempos idos do primário ou ginásio, que nosso corpo é dividido em três partes: cabeça, tronco e membros, não é mais verdade. Hoje, mais do que nunca, se modificou um pouco; quando procuramos um doutor para aliviar nossas dores, temos que vasculhar a lista: Angiologista, cardiologista, pneumologista, endocrinologista, ortopedista, etc, etc, etc... só  para citar alguns especialistas. É verdade que há também o clínico geral, além do geriatra e da ginecologista. Então, dizia eu, procurava um  médico para me elucidar uma dúvida. Fiz, no dia anterior, muita extravagância, o que resultou numa dor na coluna insuportável, com radiação para o braço esquerdo ( seria um enfarto?) Também havia a possibilidade de ser pneumonia, ou seria melhor um ortopedista para ver sobre ossos, osteoporose, ou algo parecido. Acaba que nós, leigos, nos especializamos ou pelo menos ficamos familiarizados com as  indicações médicas, já que são inúmeras as informações pela Internet e todos os meios de comunicação. Recorri a vários doutores, como já disse, fiz exames: ressonância, de sangue e me virei de cabeça para baixo, literalmente. E a bendita dor seguia, sem cerimônia. Coisas da velhice. Mas, finalmente, o ortopedista me sugeriu (depois de uma não muito prolongada consulta, para não dizer rápida demais ) que deveria fazer exercícios, compatíveis com minha  idade. Graças a Deus não me entupiu de antiinflamatórios. Ufa!

Aí, pensei comigo mesma: “- Enfrentar um monte de velhinhos (como eu, diga-se de passagem, muito de passagem mesmo, que ninguém me ouça, ou leia), cada um mais bizarro que o outro”...

Finalmente, deixei o preconceito de lado. Acordei cedo, como sempre e me animei, afinal, era tão perto, numa pracinha a poucos metros de minha casa.  Tenho uma amiga e colega (professora) que já participa. Resolvi que só iria dar uma olhada, porque mal não ia fazer.

Cheguei,  meio tímida. Deparei-me com um bando de idosos. Uns, menos  espertos que eu, outros, mais caídos. Enfim, a professora ligou a música (todas do Erasmo, Roberto, Lulu Santos, por aí).   De cara, me identifiquei. Já disse que adoro música. Aos poucos, fui percebendo que os exercícios não eram tão para velhinhos, como  eu supunha. Uma série de alongamentos, tudo no ritmo e outros tantos de coordenação motora, usando o bastão. Tudo muito bom. Entrei no clima totalmente. Saí suada, animada. Passei a ir todos os dias. Hoje, perdi a hora e teria que correr muito para chegar a tempo. Fiquei aborrecida, mas, como teria que levar exames para o médico (desta vez, o cardiologista), achei  por bem me conformar. Quero ressaltar aqui, não sou hipocondríaca, muito ao contrário, fico aborrecida de ter que ir a tantos médicos para descobrir  o mal que me acometeu. Antes que me esqueça: a tal dor já passou, não tomei nenhum remédio e estou feliz por ter deixado o preconceito de lado (fazer ginástica na praça, com um bando de pessoas não tão novas, digamos assim). Espero que amanhã acorde bem cedo para dar tempo de me arrumar e encontrar os meus mais novos amigos de infância. Em vez de remédios, alegria, muita atividade física e  nenhum preconceito, pois eu, agora, também faço parte desse time. Ah! Ia me esquecendo... Sabem  quem encontrei por lá? O meu amigo sol, que brilhava alto no céu, dizem que ele é importante para fixar o cálcio em nossos desgastados ossinhos. Muita  luz e calor ele me trouxe. Principalmente, calor humano.

2 comentários:

Katia disse...

Neuza, estou adorando os seus escritos. Vou divulgar na nossa Turma.

neuzasales disse...

OI, Kátia, adorei eu os elogios...A Leila acabou de enviar um email me elogiando também...Obrigada.bj. Neuza.