quarta-feira, 22 de maio de 2013

Os últimos raios de sol


 

 

Da janela, podia avistar o sol se indo, não antes de mostrar uma  luminosidade amarela, brilhante, por trás dos edifícios altos. Tudo se transformando em sombra, para receber a noite que traz consigo um sentimento de tristeza muito grande. Observava  aquela paisagem bonita sem poder olhar para tanta luz que me cegava. É o momento do dia que mais gosto  de apreciar. Não são poucas as vezes, que deixo o que estou fazendo para  me deleitar com o por do sol. Nas tardes de outono então são de tirar o fôlego. E me transporto. Deixo a alma flutuar entre as  cores mágicas no céu. Entretanto, todo esse esplendor, misturado às mais belas emoções, me levam a uma comparação inevitável. A minha vida atingiu um momento de finalizações. A Terra dá voltas, em círculos infinitos que causam  os dias e as noites. As pessoas, não. Apesar de fazerem parte de um planeta que gira sem parar, têm um tempo finito. É o ocaso que acontece, inexorável. É como se estivéssemos da janela de um trem veloz, que nos deixa vislumbrar paisagens, as mais intrigantes e mutáveis, mas que apreciamos tão rapidamente. É como a vida que, costumamos dizer, passa tão depressa. Mas, na verdade, não é assim. Os minutos, as horas estão sempre no mesmo compasso. Nós é que não conseguimos cultivar o hábito saudável, de vivenciarmos apropriadamente, cada   momento que nos é dado. Se pudesse cavalgar num daqueles clarões coloridos eu me reportaria a um tempo de felicidade, melhor dizendo, de esperança. Do porvir instalado em frente à mim, quando era a menina sonhadora, cheia de gosto pela vida. Não que eu não sorria mais, não. Mas é tão diferente. O riso de antes era aberto, descontraído, irresponsável. Hoje, é um riso temperado, mais valorizado até. E me dou conta de que tenho a graça infinita de possuir um bom humor invejável. Como os negros escravos acostumei-me com as chicotadas da vida e, como eles, ainda  consigo cantar e dançar, apesar das marcas deixadas pela chibata, ao redor da fogueira, que acendiam, para queimar suas frustrações e zombar da má sorte que lhes fora dada.  Também eu quero atiçar o fogo que queimará minha amargura, e que, pretensamente transformará em cinzas todo o sofrimento e decepções que me atingirem. Quero me valer das coisas boas que andam paralelas, disputando lado a lado com o  tristeza e a dor. É uma luta feroz, onde os soldados do bem não se acovardam, mesmo sabendo que as armas inimigas são mais poderosas. Ainda há alguma luz, ainda vejo o ouro e púrpura  flamejando no horizonte. Além do mais, sempre haverá um novo dia e, enquanto eu puder, farei parte daquele exército que ainda acredita em dias melhores e que valorizam  pequenas vitórias, porque é delas que, se somadas, extrairemos a vitória e, aí, sim, entendemos que vale a pena viver.

 

 

 

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