EXPLICANDO...explicando e explicando.
Sinto-me
devedora. Será que todos são assim? Carregando uma dívida que nunca pode ser
paga? Talvez, não. Uns tem o poder de estarem quites com a vida, ou, pelo
menos, se iludem com a própria autonomia diante dos fatos. Coragem, e
enfrentamento, dois substantivos poderosos, fortes. O que transfere às pessoas
esse dom, o de agir com certeza do que
fazem? Acham que estão cobertos de razão e vão adiante, independente do que possa acarretar a atitude
tomada. Comparando-me a essas pessoas, devo admitir que minha nota média varia entre cinco e seis, no máximo.
Ontem,
presenciei uma cena bizarra: mais uma vez, acorria ao Shopping, onde existe um
único banco para remessa de dinheiro ao exterior, o Western Union. Não
quero me vejam como a “boazinha” que manda um dinheirinho para a
pobre coitada da irmã.Não, mesmo.O que ganho fazendo isto é maior do que
qualquer reconhecimento que possa ter. Não há medida para a satisfação que sinto ao perceber que,
apesar da ínfima quantia que mando, estou compartilhando da vida dessa irmã,
tão querida e tão longe.E nem ela necessita disso para sobreviver pois que é
uma lutadora e sabe enfrentar seus
problemas estoicamente.Mas vamos lá, eu
falava do fato, no mínimo engraçado que assisti, não de camarote, pois encarava
uma fila, de pé,nenhum banquinho, nada, onde pudesse aliviar a dor nos
calcanhares, porque permanecia horas naquela posição incômoda.Como bons
brasileiros que somos, estamos sempre entabulando uma conversa, puxando um
assunto com o companheiro de espera naquelas intermináveis “bichas” como diriam
os portugueses, ao se referirem a uma fila.Entre essas pessoas, havia uma
senhora acompanhada de sua netinha de onze anos.Ela, a avó, louvava a boa
educação que dera aos filhos e , conseqüentemente, aprendida pela menina,
companheira de fila.Ontem, já estive aqui
para mandar a mesada do meu filho para pagar a faculdade. Mas foi preciso
voltar hoje, a quantia que mandei não foi suficiente, os bancos não liberam
tanto no mesmo dia. Explicava ela, cheia de orgulho do filho estudando na
Europa. Essa mulher era o tipo de pessoa resoluta e que não deixa barato, como
eu apontava antes. E se intitulava professora universitária. Não me perguntem
seu nome – ela não disse.Então, aparecem várias pessoas para pedir informações,
o que atrapalhava sobremaneira o desempenho da mocinha que nos ia
atender.Desorganização da loja, descaso e
desrespeito com o contribuinte, não raros no nosso país, apesar das
taxas e impostos pagos por nós. Mas a confusão começou quando um senhor bem
idoso, fazendo-se de rogado, adiantou-se, passando à frente de todos da fila
e,principalmente, ignorando-nos, entrou na cabine e, mesmo vendo que a
moça já
atendia alguém, ele tentou burlar todas as regras de bom senso e
educação, interrompendo o trabalho da jovem atendente. Quando dei pela coisa, a
professora - devo descrever seu tipo
físico: gordinha, baixa, cabelos brancos e usava uma bata larga que disfarçava
suas gordurinhas, adentrou a loja e
falava de maneira irritada, recriminando a atitude do velho folgado.Ele não se
deu por vencido. Saiu, exibindo seus grandes olhos azuis e nos olhava com ar de
desdém. Usava elegante calça cáqui, com bolsos, tentando aparentar mais jovem,
presumo. Foi então que a professora entornou toda sua ira e falou alto, bem
alto para que, não só ele ouvisse mas toda a fila que já se tornava
enorme: velho safado! Levei um susto com a veemência com que ela disse
essas palavras. Aí, se formou o “circo”. Espetáculo gratuito a que assistíamos
todos nós. Ele vociferou para ela: Safado é seu pai, sua mãe! E o tempo
esquentou. Você não sabe com quem está
falando! Posso prender você! Gritava o velho enfurecido. E continuou: Sou o
pai do MA (não vou citar o nome do ator) . Isso mesmo, ele se dizia pai de
um ator Global. E: Não é para qualquer um
ser pai do MA! E veio com a parte mais ofensiva: E você é velha, gorda e feia!
Sacudindo o dedo de forma arrogante.Ela respondeu-lhe com um sorriso
sarcástico, retrucando: E você é
lindo!...Incrível mas há pessoas que se arvoram de importância, e se
definem melhor que os outros, apenas com o título de pai de galã de novela...a
que ponto chegamos.
Contei esse
episódio fortuito, antes para amenizar e, ao mesmo tempo, explicar o que me
acomete sempre, esse sentimento de endividamento para com o mundo. Entretanto,
esperar numa fila, sentir dor e cansaço, são bem tolerados quando se está
feliz. Feliz completamente? Não.Digamos, feliz casualmente. E ponto.Vocês se
lembram que nomeei “bicha” quando me
referia à enorme fila de espera? Então...pensem
no velho arrogante e, quem quiser, imagine um novo adjetivo-substantivo
para ele.Se isto se passasse em Portugal, teria uma outra conotação.Não me
julguem leviana, mas era voz geral.
EXPLICANDO...explicando e explicando.
Sinto-me
devedora. Será que todos são assim? Carregando uma dívida que nunca pode ser
paga? Talvez, não. Uns tem o poder de estarem quites com a vida, ou, pelo
menos, se iludem com a própria autonomia diante dos fatos. Coragem, e
enfrentamento, dois substantivos poderosos, fortes. O que transfere às pessoas
esse dom, o de agir com certeza do que
fazem? Acham que estão cobertos de razão e vão adiante, independente do que possa acarretar a atitude
tomada. Comparando-me a essas pessoas, devo admitir que minha nota média varia entre cinco e seis, no máximo.
Ontem,
presenciei uma cena bizarra: mais uma vez, acorria ao Shopping, onde existe um
único banco para remessa de dinheiro ao exterior, o Western Union. Não
quero me vejam como a “boazinha” que manda um dinheirinho para a
pobre coitada da irmã.Não, mesmo.O que ganho fazendo isto é maior do que
qualquer reconhecimento que possa ter. Não há medida para a satisfação que sinto ao perceber que,
apesar da ínfima quantia que mando, estou compartilhando da vida dessa irmã,
tão querida e tão longe.E nem ela necessita disso para sobreviver pois que é
uma lutadora e sabe enfrentar seus
problemas estoicamente.Mas vamos lá, eu
falava do fato, no mínimo engraçado que assisti, não de camarote, pois encarava
uma fila, de pé,nenhum banquinho, nada, onde pudesse aliviar a dor nos
calcanhares, porque permanecia horas naquela posição incômoda.Como bons
brasileiros que somos, estamos sempre entabulando uma conversa, puxando um
assunto com o companheiro de espera naquelas intermináveis “bichas” como diriam
os portugueses, ao se referirem a uma fila.Entre essas pessoas, havia uma
senhora acompanhada de sua netinha de onze anos.Ela, a avó, louvava a boa
educação que dera aos filhos e , conseqüentemente, aprendida pela menina,
companheira de fila.Ontem, já estive aqui
para mandar a mesada do meu filho para pagar a faculdade. Mas foi preciso
voltar hoje, a quantia que mandei não foi suficiente, os bancos não liberam
tanto no mesmo dia. Explicava ela, cheia de orgulho do filho estudando na
Europa. Essa mulher era o tipo de pessoa resoluta e que não deixa barato, como
eu apontava antes. E se intitulava professora universitária. Não me perguntem
seu nome – ela não disse.Então, aparecem várias pessoas para pedir informações,
o que atrapalhava sobremaneira o desempenho da mocinha que nos ia
atender.Desorganização da loja, descaso e
desrespeito com o contribuinte, não raros no nosso país, apesar das
taxas e impostos pagos por nós. Mas a confusão começou quando um senhor bem
idoso, fazendo-se de rogado, adiantou-se, passando à frente de todos da fila
e,principalmente, ignorando-nos, entrou na cabine e, mesmo vendo que a
moça já
atendia alguém, ele tentou burlar todas as regras de bom senso e
educação, interrompendo o trabalho da jovem atendente. Quando dei pela coisa, a
professora - devo descrever seu tipo
físico: gordinha, baixa, cabelos brancos e usava uma bata larga que disfarçava
suas gordurinhas, adentrou a loja e
falava de maneira irritada, recriminando a atitude do velho folgado.Ele não se
deu por vencido. Saiu, exibindo seus grandes olhos azuis e nos olhava com ar de
desdém. Usava elegante calça cáqui, com bolsos, tentando aparentar mais jovem,
presumo. Foi então que a professora entornou toda sua ira e falou alto, bem
alto para que, não só ele ouvisse mas toda a fila que já se tornava
enorme: velho safado! Levei um susto com a veemência com que ela disse
essas palavras. Aí, se formou o “circo”. Espetáculo gratuito a que assistíamos
todos nós. Ele vociferou para ela: Safado é seu pai, sua mãe! E o tempo
esquentou. Você não sabe com quem está
falando! Posso prender você! Gritava o velho enfurecido. E continuou: Sou o
pai do MA (não vou citar o nome do ator) . Isso mesmo, ele se dizia pai de
um ator Global. E: Não é para qualquer um
ser pai do MA! E veio com a parte mais ofensiva: E você é velha, gorda e feia!
Sacudindo o dedo de forma arrogante.Ela respondeu-lhe com um sorriso
sarcástico, retrucando: E você é
lindo!...Incrível mas há pessoas que se arvoram de importância, e se
definem melhor que os outros, apenas com o título de pai de galã de novela...a
que ponto chegamos.
Contei esse
episódio fortuito, antes para amenizar e, ao mesmo tempo, explicar o que me
acomete sempre, esse sentimento de endividamento para com o mundo. Entretanto,
esperar numa fila, sentir dor e cansaço, são bem tolerados quando se está
feliz. Feliz completamente? Não.Digamos, feliz casualmente. E ponto.Vocês se
lembram que nomeei “bicha” quando me
referia à enorme fila de espera? Então...pensem
no velho arrogante e, quem quiser, imagine um novo adjetivo-substantivo
para ele.Se isto se passasse em Portugal, teria uma outra conotação.Não me
julguem leviana, mas era voz geral.
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