domingo, 19 de maio de 2013

Explicando...explicando e explicando


EXPLICANDO...explicando e explicando.

 

Sinto-me devedora. Será que todos são assim? Carregando uma dívida que nunca pode ser paga? Talvez, não. Uns tem o poder de estarem quites com a vida, ou, pelo menos, se iludem com a própria autonomia diante dos fatos. Coragem, e enfrentamento, dois substantivos poderosos, fortes. O que transfere às pessoas esse dom, o de  agir com certeza do que fazem? Acham que estão cobertos de razão e vão adiante,  independente do que possa acarretar a atitude tomada. Comparando-me a essas pessoas, devo admitir que minha nota média varia  entre cinco e seis, no máximo.

Ontem, presenciei uma cena bizarra: mais uma vez, acorria ao Shopping, onde existe um único banco para remessa de dinheiro ao exterior, o Western Union. Não quero  me vejam como  a “boazinha” que manda um dinheirinho para a pobre coitada da irmã.Não, mesmo.O que ganho fazendo isto é maior do que qualquer reconhecimento que possa ter. Não há medida  para a satisfação que sinto ao perceber que, apesar da ínfima quantia que mando, estou compartilhando da vida dessa irmã, tão querida e tão longe.E nem ela necessita disso para sobreviver pois que é uma lutadora  e sabe enfrentar seus problemas estoicamente.Mas vamos  lá, eu falava do fato, no mínimo engraçado que assisti, não de camarote, pois encarava uma fila, de pé,nenhum banquinho, nada, onde pudesse aliviar a dor nos calcanhares, porque permanecia horas naquela posição incômoda.Como bons brasileiros que somos, estamos sempre entabulando uma conversa, puxando um assunto com o companheiro de espera naquelas intermináveis “bichas” como diriam os portugueses, ao se referirem a uma fila.Entre essas pessoas, havia uma senhora acompanhada de sua netinha de onze anos.Ela, a avó, louvava a boa educação que dera aos filhos e , conseqüentemente, aprendida pela menina, companheira de fila.Ontem, já estive aqui para mandar a mesada do meu filho para pagar a faculdade. Mas foi preciso voltar hoje, a quantia que mandei não foi suficiente, os bancos não liberam tanto no mesmo dia. Explicava ela, cheia de orgulho do filho estudando na Europa. Essa mulher era o tipo de pessoa resoluta e que não deixa barato, como eu apontava antes. E se intitulava professora universitária. Não me perguntem seu nome – ela não disse.Então, aparecem várias pessoas para pedir informações, o que atrapalhava sobremaneira o desempenho da mocinha que nos ia atender.Desorganização da loja, descaso e  desrespeito com o contribuinte, não raros no nosso país, apesar das taxas e impostos pagos por nós. Mas a confusão começou quando um senhor bem idoso, fazendo-se de rogado, adiantou-se, passando à frente de todos da fila e,principalmente, ignorando-nos, entrou na cabine e, mesmo vendo que a moça    atendia alguém, ele tentou burlar todas as regras de bom senso e educação, interrompendo o trabalho da jovem atendente. Quando dei pela coisa, a professora -  devo descrever seu tipo físico: gordinha, baixa, cabelos brancos e usava uma bata larga que disfarçava suas gordurinhas, adentrou  a loja e falava de maneira irritada, recriminando a atitude do velho folgado.Ele não se deu por vencido. Saiu, exibindo seus grandes olhos azuis e nos olhava com ar de desdém. Usava elegante calça cáqui, com bolsos, tentando aparentar mais jovem, presumo. Foi então que a professora entornou toda sua ira e falou alto, bem alto para que, não só ele ouvisse mas toda a fila que já se tornava enorme:  velho safado! Levei um susto com a veemência com que ela disse essas palavras. Aí, se formou o “circo”. Espetáculo gratuito a que assistíamos todos nós. Ele vociferou para ela:  Safado é seu pai, sua mãe! E o tempo esquentou. Você não sabe com quem está falando! Posso prender você! Gritava o velho enfurecido. E continuou:  Sou o pai do MA (não vou citar o nome do ator) . Isso mesmo, ele se dizia pai de um ator Global. E: Não é para qualquer um ser pai do MA! E veio com a parte mais ofensiva: E  você é velha, gorda e feia! Sacudindo o dedo de forma arrogante.Ela respondeu-lhe com um sorriso sarcástico, retrucando: E você é lindo!...Incrível mas há pessoas que se arvoram de importância, e se definem melhor que os outros, apenas com o título de pai de galã de novela...a que ponto chegamos.

Contei esse episódio fortuito, antes para amenizar e, ao mesmo tempo, explicar o que me acomete sempre, esse sentimento de endividamento para com o mundo. Entretanto, esperar numa fila, sentir dor e cansaço, são bem tolerados quando se está feliz. Feliz completamente? Não.Digamos, feliz casualmente. E ponto.Vocês se lembram que nomeei  “bicha” quando me referia à enorme fila de espera? Então...pensem  no velho arrogante e, quem quiser, imagine um novo adjetivo-substantivo para ele.Se isto se passasse em Portugal, teria uma outra conotação.Não me julguem leviana, mas era voz geral.

 

 
EXPLICANDO...explicando e explicando.
 
Sinto-me devedora. Será que todos são assim? Carregando uma dívida que nunca pode ser paga? Talvez, não. Uns tem o poder de estarem quites com a vida, ou, pelo menos, se iludem com a própria autonomia diante dos fatos. Coragem, e enfrentamento, dois substantivos poderosos, fortes. O que transfere às pessoas esse dom, o de  agir com certeza do que fazem? Acham que estão cobertos de razão e vão adiante,  independente do que possa acarretar a atitude tomada. Comparando-me a essas pessoas, devo admitir que minha nota média varia  entre cinco e seis, no máximo.
Ontem, presenciei uma cena bizarra: mais uma vez, acorria ao Shopping, onde existe um único banco para remessa de dinheiro ao exterior, o Western Union. Não quero  me vejam como  a “boazinha” que manda um dinheirinho para a pobre coitada da irmã.Não, mesmo.O que ganho fazendo isto é maior do que qualquer reconhecimento que possa ter. Não há medida  para a satisfação que sinto ao perceber que, apesar da ínfima quantia que mando, estou compartilhando da vida dessa irmã, tão querida e tão longe.E nem ela necessita disso para sobreviver pois que é uma lutadora  e sabe enfrentar seus problemas estoicamente.Mas vamos  lá, eu falava do fato, no mínimo engraçado que assisti, não de camarote, pois encarava uma fila, de pé,nenhum banquinho, nada, onde pudesse aliviar a dor nos calcanhares, porque permanecia horas naquela posição incômoda.Como bons brasileiros que somos, estamos sempre entabulando uma conversa, puxando um assunto com o companheiro de espera naquelas intermináveis “bichas” como diriam os portugueses, ao se referirem a uma fila.Entre essas pessoas, havia uma senhora acompanhada de sua netinha de onze anos.Ela, a avó, louvava a boa educação que dera aos filhos e , conseqüentemente, aprendida pela menina, companheira de fila.Ontem, já estive aqui para mandar a mesada do meu filho para pagar a faculdade. Mas foi preciso voltar hoje, a quantia que mandei não foi suficiente, os bancos não liberam tanto no mesmo dia. Explicava ela, cheia de orgulho do filho estudando na Europa. Essa mulher era o tipo de pessoa resoluta e que não deixa barato, como eu apontava antes. E se intitulava professora universitária. Não me perguntem seu nome – ela não disse.Então, aparecem várias pessoas para pedir informações, o que atrapalhava sobremaneira o desempenho da mocinha que nos ia atender.Desorganização da loja, descaso e  desrespeito com o contribuinte, não raros no nosso país, apesar das taxas e impostos pagos por nós. Mas a confusão começou quando um senhor bem idoso, fazendo-se de rogado, adiantou-se, passando à frente de todos da fila e,principalmente, ignorando-nos, entrou na cabine e, mesmo vendo que a moça    atendia alguém, ele tentou burlar todas as regras de bom senso e educação, interrompendo o trabalho da jovem atendente. Quando dei pela coisa, a professora -  devo descrever seu tipo físico: gordinha, baixa, cabelos brancos e usava uma bata larga que disfarçava suas gordurinhas, adentrou  a loja e falava de maneira irritada, recriminando a atitude do velho folgado.Ele não se deu por vencido. Saiu, exibindo seus grandes olhos azuis e nos olhava com ar de desdém. Usava elegante calça cáqui, com bolsos, tentando aparentar mais jovem, presumo. Foi então que a professora entornou toda sua ira e falou alto, bem alto para que, não só ele ouvisse mas toda a fila que já se tornava enorme:  velho safado! Levei um susto com a veemência com que ela disse essas palavras. Aí, se formou o “circo”. Espetáculo gratuito a que assistíamos todos nós. Ele vociferou para ela:  Safado é seu pai, sua mãe! E o tempo esquentou. Você não sabe com quem está falando! Posso prender você! Gritava o velho enfurecido. E continuou:  Sou o pai do MA (não vou citar o nome do ator) . Isso mesmo, ele se dizia pai de um ator Global. E: Não é para qualquer um ser pai do MA! E veio com a parte mais ofensiva: E  você é velha, gorda e feia! Sacudindo o dedo de forma arrogante.Ela respondeu-lhe com um sorriso sarcástico, retrucando: E você é lindo!...Incrível mas há pessoas que se arvoram de importância, e se definem melhor que os outros, apenas com o título de pai de galã de novela...a que ponto chegamos.
Contei esse episódio fortuito, antes para amenizar e, ao mesmo tempo, explicar o que me acomete sempre, esse sentimento de endividamento para com o mundo. Entretanto, esperar numa fila, sentir dor e cansaço, são bem tolerados quando se está feliz. Feliz completamente? Não.Digamos, feliz casualmente. E ponto.Vocês se lembram que nomeei  “bicha” quando me referia à enorme fila de espera? Então...pensem  no velho arrogante e, quem quiser, imagine um novo adjetivo-substantivo para ele.Se isto se passasse em Portugal, teria uma outra conotação.Não me julguem leviana, mas era voz geral.
 
 

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