quarta-feira, 22 de maio de 2013

Baile na fazenda


 

 

    Depois de algum tempo, para alguns a vida melhora e o contrário acontece a outros.

Não é uma regra. É constatação.  Dos dez filhos do meu avô, nem todos foram agraciados com a melhor parte. E qual seria ela? Dinheiro, uma herança cobiçada, saúde, alegrias, viagens? Quem sabe...

    Qualquer dessas  suposições  são, relativamente, proporcionais ao desejo de cada um. Penso que aquele que recebeu muita grana, ou terras, uma mansão com carro na garagem – só para citar alguns – talvez não tenha se sentido satisfeito, feliz,  recompensado. Há também a possibilidade de não ter sabido aproveitar,  melhor, não ter  usufruído de  forma racional, inteligente, o que lhe foi dado de bandeja. Por que essas reflexões? É que me lembrei  de um fato engraçado e que se passou na fazenda das Areias, algum tempo depois da morte dos meus avós. Nem todos souberam administrar bem a parte que lhes coube da herança. Prefiro não citar nomes. Não é meu objetivo julgar ninguém. Então. Não sei bem porque, houve uma época em que uma das tias precisou  ir morar lá.Talvez, por estar atravessando situação  financeira   desfavorável, digamos assim. O casal se instalou provisoriamente, até que o vendaval se afastasse. Só que essa tia era uma pessoa muito alegre, de bem com a vida, talvez, um  tanto despreocupada demais. Seu marido, apesar de enormemente simpático, agradável, gentil com todos, era despreparado para gerenciar o tanto  que havia recebido. Mas formavam uma dupla imbatível no que diz respeito a animar uma festa, com alegria e descontração. Gostavam de música, boa bebida e de receber os amigos. Um dia, promoveram um baile na fazenda. Convidaram alguns vizinhos das fazendas próximas e pessoas do vilarejo, também perto da casa. Naquele tempo, em plena adolescência, eu, minhas primas e irmãs assistíamos encantadas  à chegada dos convidados, num misto de euforia e timidez.E formávamos grupinhos de risonhas e serelepes mocinhas. O toca- discos tocando alto, jovens tirando moças para dançar. Um deles, na sua simplicidade de moço da roça, ostentava uma  escova de dentes, num dos bolsos da camisa. Era o Aldo. Nunca nos esquecemos disso, eu e todas as outras meninas, com risinhos de deboche e com a maldade característica daquela idade. Corríamos dele, com medo de que convidasse uma de nós para dançar.E seguia a festa.

Nenhum comentário: