Depois de algum tempo, para alguns a vida
melhora e o contrário acontece a outros.
Não é uma regra.
É constatação. Dos dez filhos do meu
avô, nem todos foram agraciados com a melhor parte. E qual seria ela? Dinheiro,
uma herança cobiçada, saúde, alegrias, viagens? Quem sabe...
Qualquer dessas suposições são, relativamente, proporcionais ao desejo de
cada um. Penso que aquele que recebeu muita grana, ou terras, uma mansão com
carro na garagem – só para citar alguns – talvez não tenha se sentido satisfeito,
feliz, recompensado. Há também a
possibilidade de não ter sabido aproveitar, melhor, não ter usufruído de forma racional, inteligente, o que lhe foi
dado de bandeja. Por que essas reflexões? É que me lembrei de um fato engraçado e que se passou na
fazenda das Areias, algum tempo depois da morte dos meus avós. Nem todos
souberam administrar bem a parte que lhes coube da herança. Prefiro não citar
nomes. Não é meu objetivo julgar ninguém. Então. Não sei bem porque, houve uma
época em que uma das tias precisou ir
morar lá.Talvez, por estar atravessando situação financeira
desfavorável, digamos assim. O
casal se instalou provisoriamente, até que o vendaval se afastasse. Só que essa
tia era uma pessoa muito alegre, de bem com a vida, talvez, um tanto despreocupada demais. Seu marido,
apesar de enormemente simpático, agradável, gentil com todos, era despreparado
para gerenciar o tanto que havia
recebido. Mas formavam uma dupla imbatível no que diz respeito a animar uma
festa, com alegria e descontração. Gostavam de música, boa bebida e de receber
os amigos. Um dia, promoveram um baile na fazenda. Convidaram alguns vizinhos
das fazendas próximas e pessoas do vilarejo, também perto da casa. Naquele
tempo, em plena adolescência, eu, minhas primas e irmãs assistíamos encantadas à chegada dos convidados, num misto de euforia
e timidez.E formávamos grupinhos de risonhas e serelepes mocinhas. O toca- discos
tocando alto, jovens tirando moças para dançar. Um deles, na sua simplicidade
de moço da roça, ostentava uma escova de
dentes, num dos bolsos da camisa. Era o Aldo. Nunca nos esquecemos disso, eu e
todas as outras meninas, com risinhos de deboche e com a maldade característica
daquela idade. Corríamos dele, com medo de que convidasse uma de nós para
dançar.E seguia a festa.
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