quinta-feira, 23 de abril de 2015

Viciada em escrever.

Sabe aquela vontade que dá, de repente, de comer doce, ou de tomar um café bem fresco e quente? Um sorvete?Pois é. Estou com vontade de escrever mas não sei sobre o quê. Dá aquele comichão. Olho para o teclado, para a telinha branca e imagino que deveria estar colocando letras por aí. Lembrei-me então de uma pequena notícia que tive, logo cedo, vinda de uma das minhas mais novas "amigas de infância", que faz ginástica de oito e trinta às nove e meia. Até nem é uma grande novidade. Claro que não! Ela fora assaltada. "Estava indo pra missa, menina, eu e minha irmã, eu levava uma bolsinha pequena com quinze reais." Contava ela, rodeada por todas nós, que ouvíamos atentas e dando graças a Deus por ela estar viva. E contou ainda que eram dois rapazes bem vestidos num carro novo e caro. Pararam devagar e anunciaram: -É um assalto. Continuava ela dizendo; também que permaneceu muito calma e isso a ajudou muito. "Peraí! Calma! " E fez um gesto nos mostrando como ela, tranquilamente, puxava a alça da pequena bolsa e entregava ao bandido almofadinha. A irmã, atônita, deixou o relógio cair ao chão, muito nervosa. Esse é o nosso dia a dia, a violência avançando  sem mais nem menos e nos privando da liberdade de ir e vir, ainda que só se vá até a uma Igreja, justamente pedir proteção e ao mesmo tempo agradecer pelas bênçãos. Minha amiguinha sorria. "E depois -  concluía ela -  eu achei graça de lembrar minha irmã toda afobada, recolhendo o relógio caído e que os larápios de meia tampa esnobaram e deixaram pra trás." A ginástica já começava e a professora já se alongava para que nós a imitássemos. Muitos já a acompanhavam. Corri, deixando a bolsa com água, óculos de sol e uma carteirinha com a chave da casa ao chão. Apressei-me com os exercícios. Felizmente, foi só isso. Outra do grupo já contava que fora seguida, quando um homem saindo, ela não sabia de onde,  lhe perguntava com voz ameaçadora: "- Onde você está indo?" A rua deserta ao longo de toda a calçada. Ele aparecia do nada, e ela só se lembrava de ter dito, simplesmente: "- Estou indo pra casa e meu marido está me esperando." Foi o suficiente para que ele desaparecesse do mesmo modo que surgira. Talvez, desta vez, apenas uma paquera mal sucedida, afinal ela é uma morena bonita que não aparenta a idade que tem. Enfim... é o que temos por hoje. Amanhã não sei se escrevo de novo. Quero muito. Sempre a sensação que devo. Gosto muito quando tenho algo a dizer. Está se tornando um hábito. Que venham melhores notícias, coisas boas para variar. Quem sabe o nosso governo passa a nos tratar como gente de verdade? Pode ser ainda que os assaltos, apesar de não serem nada que alguém queira,  que pelo menos sejam efetuados pelos bandidos de verdade. Brincadeirinha, gente! Tomara(agora, falando sério) não houvesse necessidade que alguém fosse impelido a tomar o que quer que fosse de quem quer que seja. Trabalho, saúde, escolas, esqueci alguma coisa?Sim, faltam outras prioridades. Mas, antes de tudo, que os homens de bem sejam os próximos em quem iremos votar.

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