Vozes, galãs e decepção.
Não sei porquê, fiquei olhando pela janela, deitada e
cansada da lida e meio mole com o remedinho que tomo para ansiedade. Não
pareço, mas sou agitada. Às vezes, recorro ao médico para minorar alguma
situação que, inexplicavelmente, me acontece. Depois, passa. Sei não, mais ou
menos. Os tempos de vida fácil se foram, ou nunca existiram mas as cobranças
eram menores ou é o ritmo acelerado que tem pressa; antes, se tinha tempo de
sobra. Deixemos esse papo de tempo pra lá, apesar de que ele, o tempo, é o
principal personagem daqueles pensamentos que tive, ali, deitada, descansando.
Comecei a pensar nas novelas de rádio. Vejam só! Há quantos anos faz que os
antigos aparelhos foram substituídos pela tecnologia e tem quem nem saiba do
que falo. Eram inesquecíveis, os atores que emprestavam sua voz, me recordo
nitidamente alguns nomes: Ìsis de Oliveira ( acho que de “O direito de nascer”).
Esta marcou época. Um novelão daqueles com direito a “mamãe Dolores” ,
Albertinho Limonta e tantos mais. Domício Costa, Roberto Faissal. Aí, pensei na
decepção que foi quando, lendo uma das muitas revistas da época, que minha irmã
mais velha colecionava em pilhas enormes ( Radiolandia, Revista do Rádio,
Filmelandia, Cinelandia, além das revistinhas em quadrinhos – citei as que me
vieram à mente - mas eram muitas mais);
como dizia, folheava uma dessas e vi lá a foto dos meus heróis do rádio. A voz
não combinava com a cara feia deles. Ou eu imaginava um homem lindo, do meu
jeito, assim como os do cinema, que já costumávamos frequentar em Bom Jesus,
quando nosso pai nos concedia esse privilégio: ir ao cinema. A tonalidade de
cada um deles, vozes lindas, másculas e ao mesmo tempo, macias, não sei
explicar. O fato é que a imaginação era melhor do que qualquer galã, que se
pudesse fabricar. Impecáveis. Decentes, bonitos. Hoje, o que se vê nas novelas,
nas histórias, nos filmes, é uma realidade nua que nos confunde, ao mesmo tempo
nos mostra o real galã, cheio de defeitos. Alguns, verdadeiros bandidos caem no
gosto do povo, aprontam todas mas são queridos. O mundo mudou ou eu cresci...!
O outro verbo não quis usar. É mais de acordo com a minha idade atual. Voces
podem imaginar...
Um comentário:
O mundo hoje mudou muito. A tecnologia ajuda, mas também atrapalha muito. Todo mundo vive apressado. A violência só aumentando. Infelizmente! Não existe mais um lugar plenamente tranquilo. Que se possa viver a vida longe dos problemas, da tecnologia. Não digo sempre, mas sim por um momento.
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