Hoje, sábado de aleluia. Amanhã, domingo de Páscoa. Durante a missa, em todas as Igrejas cristãs, nas casas, onde todos comemoram e compram ovos e todo o tipo de chocolates, alguns coelhinhos, todas as comemorações em louvor, representando a alegria do Cristo renascido é mais do que merecemos. Ter um Deus em quem nos apoiar, acreditar nEle é dádiva. Ontem, saí e comprei uns ovos de Páscoa, um para o netinho. Na porta da loja, crianças pedindo um ovo para cada uma, pela calçada da minha rua, um rapaz, que costuma estar ali de vez em quando "vendendo" balas, aproveitou e levou a filha pequena de uns dois anos ( levam crianças para nos comover mais ainda) e foi uma verdadeira chuva de pedidos.
Resolvi que não daria nada a nenhum deles. Sinto remorso depois. Mas, pensando racionalmente, vejo esses adultos explorando a caridade das pessoas através de crianças, claro. As da porta das Lojas Americanas, não só pediam, insistiam e iam adentrando a loja ao meu lado.Eram três ou quatro. Já fui criança um tempão atrás. Não existia esse apelo comercial gritante. Você mal acaba de se livrar de uma data " comercial", vem outra e mais outra e assim vai. Daqui a pouco, acho, teremos o Dia das Mães, essas eternas sofredoras. Mas as boas lembranças também contam. Por isso, faço de vez em quando, um retrospecto do que foi minha infância. No Natal, por exemplo, meu presente ( dos que me lembro) um foi um terço, outro, um tecido de listras que minha mãe transformou num vestido de alças. Eram listras verdes num fundo branco. Ela sempre costurou para as quatro filhas, numa época em que nem havia boutique em nossa pequena cidade. Amei aquele vestido. Um dia, andando na rua, vi um homem simples usando uma camisa com o mesmo tecido do meu vestido. Deve ter comprado na mesma loja, a Casa Itaperuna. Nunca vou me esquecer disso. Não me dei por vencida e continuei a usar aquele vestido lindo, afinal fora um presente de Natal e feito pelas habilidosas mãos da mulher que me amava de verdade. O terço, acreditem, tenho guardado até hoje, meio arrebentado mas inteiro no seu valor simbólico. São boas lembranças, sim. Meus quinze anos: também ganhei um vestido novo, desta vez, estampado de azul e branco. Quando me casei, vesti-me com um vestido também confeccionado por ela, minha mãe.Há muitas vivências que ficaram perdidas na memória. Claro. A idade, é uma bandida feroz, mas também alivia, paradoxalmente, nossas dores. É cumplice do tempo. Esse aí, passa sem a menor cerimônia. Vai passando e apagando as boas coisas da vida. Só que, enquanto eu viver, jamais me esquecerei dos presentes que Deus me deu: meus pais. Esse convívio que alguns não tiveram o privilégio de ter. Que o Pai do Céu nos proteja a todos, na Páscoa e sempre. Este, o meu desejo.
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