domingo, 12 de abril de 2015

A força da luz.

O sol está brilhando forte lá fora. Hoje, domingo, as pessoas andando na praia, algumas ( com certeza, a maioria descontente com o governo e se manifestando) acho eu. Estou aqui, escrevendo e com uma vontade grande (média -  ando sem entusiasmo e exagerei na palavra), mas, a verdade é que amo o sol e o calor que ele traz. Ontem, fazia um friozinho fraco e estava meio nublado. Meu coração se encheu de nuvens negras e tive um dia ruim. Não havia nada que me desse vontade de fazer. À noite, abri o Facebook e tinha lá um convite:  escolher uma poesia para deixar aqui; gostei. Procurei e logo achei uma do Fernando Pessoa que todos que amam poesia devem saber de cor. Foi bom. Invejo quem sabe fazer versos. Agradeço à amiga pela ideia. Foi um alento. Diminuiu o desinteresse que me cercava e me deixava prostrada. Nem ler eu  queria. a televisão chatíssima, violência e corrupção, os últimos presos do Lava-jato, e ainda, de quebra, " dona presidenta" posando de boa moça. Aí fica difícil! O presidente Obama ( os cabelos embranquecidos pelo desgaste do cargo que ocupa) mas ainda assim um gato, falando para o ditador cubano e ouvindo as "abobrinhas" de quem não tem nada de útil a dizer. Enfim, o mau humor me esgotara. Hoje, cedo, o ex-marido me ligou, chateado porque o cachorro fugira e ele estava cansado de procurar. O nome do cachorro é Sol. Hoje, é dia de sol, como podem ver. Mais um tempinho passou e ele ligou de novo. O Sol aparecera, lá no finalzinho da praia. Há muitas maneiras de se viver. Escolher estar de bem com a vida, esta madrasta traiçoeira, que finge ser boazinha de vez em quando, é uma arte. Vou dar uma rasteira nela. Morta de preguiça, mas vou. Tomar coragem, achar uma roupa que não me aperte, calçar aquele tênis que merece substituição urgente e vou para a beira-mar. Vou estar entre os descontentes com a máfia do governo. Vou encontrar velhos, jovens e crianças. O sol que não se atreva a ir embora, como o cachorro fujão do meu ex... Mais tarde, na hora devida, permito que ele dê o seu espetáculo, se quiser: ir saindo devagarinho, deixando cores alaranjadas, vermelhas e amarelas, se escondendo atrás do morro, como se não fosse poderoso e fazendo de conta que todos não dependemos dele. Amanhã ele volta. Não é sempre assim?

Um comentário:

Professor Feijó disse...

Parabéns, Neuza. É sempre bom e muito agradável ler suas crônicas. Não estou sendo redundante, não. Bom e agradável, embora estejam no mesmo campo semântico, esses dois adjetivos não se comportam como o trigo e o milho que aparecem, muitas vezes juntos, mas em outros campos, estes muito mais proveitosos e substanciais, os da agricultura! Mas veja, Neuza, é bom ler suas crônicas porque elas falam sempre das coisas simples da vida e o que é simples é gostoso, faz bem à mente, não prejudica, encanta! É agradável, porque esse nome traz em suas origens tudo que é graúdo, grande, que faz volume. Neuza, suas crônicas fazem volume como o trigo e o milho que eu semeei lá atrás, naquele campo cheio de sol; sol, mesmo, o astro rei de nosso sistema planetário, não um cachorrinho pulguento perdido na praia...