sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Segurem esta senhora fujona!

De tanto insistir, desisti. De tanto amar, esfriei. De tanto sofrer, me acostumei. De tanto tentar, parei. Vou levando a vida. Mas há um preço: Sinto-me meio apática. O que se consegue, sendo racional,    analisando  que não vale a pena, é  isto. O que não posso mudar me deixa ansiosa. Saber que, faça o que fizer, não vai adiantar. Não sei o que é pior: esperar muito por algo e sofrer quando não se obtém o que se quer ou não esperar mais, aceitar sem lutas. Sentimentos diferentes. O primeiro me torna viva. O segundo me deixa morna, sem vontade.
Tenho lido muito sobre o poder mental que possuímos. Que o Universo conspira a nosso favor, se dirigimos a ele bons pensamentos. De volta, ele atua para que nossos desejos se tornem reais. E mais: agradecer, antes mesmo de ter concedida a graça. Tem lógica. Quando interpretamos de maneira correta e entendemos, finalmente, sentimo-nos cheios de esperanças, achando que tudo vai dar certo. É exercitar. É praticar todos os dias - ser positivo- não existe data para a realização. Volta e meia fico assim. Não é bom: falta de estímulos, de sensações que me dão prazer. É comida sem tempero. É não comer a sobremesa. É sair antes do fim do filme. Não é quente, não é frio. Dizem que o meio termo é o ideal. Será? Aprender a viver sozinha é arte. Contentar-se consigo. Não ter necessidade de ninguém. Mas, e os aplausos? E a platéia ? E a aprovação do outro, a admiração? Os monges tibetanos, enclausurados em sua própria solidão, serão mais livres, mais sábios? Parece que sim. O conceito de liberdade é tão subjetivo...Cada um sabe onde o calo lhe aperta. Para alguns a vontade de estar só prevalece. Para outros é castigo dos céus não estar com alguém, não ter companhia.
Quando ando pelas ruas, esbarrando nas pessoas, sinto o verdadeiro peso da solidão. Estou rodeada de gente e, ainda assim, só. Que sofrimento, que vazio...
Procuro caminhar sempre que posso. Faz bem para a saúde. São afirmações que ouvimos dos médicos, dos vizinhos, das amigas, dos parentes, até os inimigos sabem disso. Um dia, estava assim, andando sem muita convicção, só porque devo. De repente, olhei para todas aquelas pessoas e me veio um sentimento bom. Raro, é verdade. Pensei e senti não estar sozinha. Quantas histórias, e, cada uma delas recheadas de acontecimentos tristes, de decepções, desamores, perdas, enfim... Ah, de felicidade também. Ela existe, sim! Passa por nós tão rapidamente, que, quando nos damos conta, ela já sumiu na curva da estrada.

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