domingo, 1 de setembro de 2013

OLHANDO O PASSADO


Era uma reunião familiar. Irmãs e cunhados conversando. Eu, uma delas. A conversa costuma  correr solta e, vez ou outra,( estou sendo condescendente) falamos ao mesmo tempo, quando fica confuso o entendimento. Mas, mesmo assim, um encontro bom. Além do que se fala da atualidade, dos problemas de cada um, das fofocas de modo geral, passamos uma revista no passado. Como é salutar e doído paradoxalmente. Rever situações agradáveis, lembranças da infância e adolescência e ainda visualizar o tempo das decisões certas, erradas e tudo que se passou para mudar nossas vidas. Um acaso, um acontecimento que uma lembra e a outra já nem se lembrava mais. O espanto das descobertas tardias. O ciúme também tardio e meio fora de propósito que um dos cunhados demonstrava, quando a irmã mais velha falava dos ex amores,  do primo cobiçado, essas coisas. Um deles, era uma mistura de Fábio Júnior com Antônio Fagundes (nos seus áureos tempos, claro), o que trazia um certo deboche e picantes observações desse cunhado meio incomodado com as nostálgicas visões de minha irmã e de seus galãs de um tempo que não volta. Ela tem o dom de deixar qualquer conversa interessante. Desde menina, monopolizava nossas atenções de criança, quando contava histórias incríveis, criando personagens e descrevendo cenários de cinema, em suas narrativas surpreendentes; era quando nos sentávamos à sua volta e a fitávamos com olhos infantis e maravilhados. E ainda ela consegue ser essa mulher incrivelmente criativa e que consegue atrair atenções. Mas eu falava também das coisas que não foram alegres, a vida é entremeada de sabores e dissabores. Falávamos da irmã caçula que, distante, morando numa das três Américas, a Central, para ser mais exata, se fazia presente através de fatos rememorados por nós; alguns, como  já disse, nem sempre agradáveis. Algum sofrimento ficou pairando naquela conversa. No dia seguinte, o aniversário da neta de quinze anos da irmã  primogênita nos proporcionaria, de novo, outro encontro, além de  mais primas, primos, sobrinhos e o “funk” imprescindível numa festa para os amigos e parentes da menina, desabrochando para a vida de adulta, de moça, enfim. Comentários de vestidos e sapatos, uns com preços exorbitantes, outros, com a surpresa de uma roupa confeccionada por costureira barateira do interior ( que, por pura competência, deixava nada perder, se comparado aos modelito das lojas de grife) e esses momentos têm sabor de quero mais. Nem sempre nos reunimos assim. É a distância. São os problemas. A vida que não mede esforços em nos mostrar que devemos nos reunir mais e mais. E planejamos mais encontros, talvez em Guarapari, no aniversário dessa irmã querida. E ela segue; agora, falo de novo da vida. Inexorável, certeira, rumando ao futuro incerto, nebuloso, que nunca saberemos qual será.  Que Deus olhe  por nós, irmãs, cunhados, filhos e filhas, netos e netas...nessa roda constante que nos surpreende a cada esquina, a cada nascer do sol.

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