Era uma reunião familiar. Irmãs e
cunhados conversando. Eu, uma delas. A conversa costuma correr solta e, vez ou outra,( estou sendo
condescendente) falamos ao mesmo tempo, quando fica confuso o entendimento.
Mas, mesmo assim, um encontro bom. Além do que se fala da atualidade, dos
problemas de cada um, das fofocas de modo geral, passamos uma revista no
passado. Como é salutar e doído paradoxalmente. Rever situações agradáveis,
lembranças da infância e adolescência e ainda visualizar o tempo das decisões
certas, erradas e tudo que se passou para mudar nossas vidas. Um acaso, um
acontecimento que uma lembra e a outra já nem se lembrava mais. O espanto das
descobertas tardias. O ciúme também tardio e meio fora de propósito que um dos cunhados
demonstrava, quando a irmã mais velha falava dos ex amores, do primo cobiçado, essas coisas. Um deles,
era uma mistura de Fábio Júnior com Antônio Fagundes (nos seus áureos tempos,
claro), o que trazia um certo deboche e picantes observações desse cunhado meio
incomodado com as nostálgicas visões de minha irmã e de seus galãs de um tempo
que não volta. Ela tem o dom de deixar qualquer conversa interessante. Desde
menina, monopolizava nossas atenções de criança, quando contava histórias
incríveis, criando personagens e descrevendo cenários de cinema, em suas
narrativas surpreendentes; era quando nos sentávamos à sua volta e a fitávamos
com olhos infantis e maravilhados. E ainda ela consegue ser essa mulher
incrivelmente criativa e que consegue atrair atenções. Mas eu falava também das
coisas que não foram alegres, a vida é entremeada de sabores e dissabores.
Falávamos da irmã caçula que, distante, morando numa das três Américas, a
Central, para ser mais exata, se fazia presente através de fatos rememorados
por nós; alguns, como já disse, nem
sempre agradáveis. Algum sofrimento ficou pairando naquela conversa. No dia
seguinte, o aniversário da neta de quinze anos da irmã primogênita nos proporcionaria, de novo,
outro encontro, além de mais primas, primos,
sobrinhos e o “funk” imprescindível numa festa para os amigos e parentes da
menina, desabrochando para a vida de adulta, de moça, enfim. Comentários de
vestidos e sapatos, uns com preços exorbitantes, outros, com a surpresa de uma
roupa confeccionada por costureira barateira do interior ( que, por pura
competência, deixava nada perder, se comparado aos modelito das lojas de grife)
e esses momentos têm sabor de quero mais. Nem sempre nos reunimos assim. É a
distância. São os problemas. A vida que não mede esforços em nos mostrar que
devemos nos reunir mais e mais. E planejamos mais encontros, talvez em
Guarapari, no aniversário dessa irmã querida. E ela segue; agora, falo de novo
da vida. Inexorável, certeira, rumando ao futuro incerto, nebuloso, que nunca
saberemos qual será. Que Deus olhe por nós, irmãs, cunhados, filhos e filhas,
netos e netas...nessa roda constante que nos surpreende a cada esquina, a cada
nascer do sol.
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