Naquele momento, já me sentia cansada e o suor escorria pelo
rosto. Era bom pensar que os exercícios só iriam me beneficiar. Que bom estar
ali, fazendo um bem para a minha saúde. De repente, vejo uma senhora,
aparentando bem mais que setenta. Ela vem cambaleante, rente à mureta que
sustenta um tipo de palco, de onde a professora de ginástica nos proporciona
ótimas aulas. Vinha meio de lado e seus passos descontrolados a fazem tropeçar
numa barra de madeira (tipo cabo de vassoura, com borrachas pretas nas pontas)
que usamos. Ela cai. Bate com os joelhos e as costas, que, violentamente, se
chocam contra a parede; a cabeça também fora atingida. É um quadro alarmante.
Todos corremos para acudi-la. Um senhor,
o mais simpático e agradável, que sempre nos cumprimenta a todas com um abraço
carinhoso e palavras doces, vem rapidamente e a segura, assim como aquelas que
estavam mais próximas da pobre senhora caída no chão. A professora desce
pressurosa e é uma solidariedade geral. E os “achismos” surgem de todos os
lados: deve ser pressão baixa, ou labirintite, arriscavam também... E o nome de minha mãe se fez ouvir,
pois alguém pronunciou o nome daquela mulher caída no chão. Senti um nó,
apertando minha garganta. Fiquei mais tocada ainda. A pobre, muito pálida, não
dava mostras de melhorar; o homem simpático que a amparava tentou ajudá-la a se
levantar. Nada. Ela não conseguia. A irmã da infausta senhora, muito assustada,
foi socorrida também com um copo d’água. Tentaram ligar para o marido e diziam
que ela morava perto, na rua Itaperuna,
no Pé-pequeno. Ele não atendia. A cada minuto, uma sugestão. “Afastem-se, ela
precisa respirar!” Alegava alguém. E foi chamado auxílio profissional. Uma outra, mais nova entre nós, chega com aparelho de
pressão, constatando que a pressão da senhorinha estava mesmo muito baixa.
Sugeri que água de coco, poderia ajudar e corri ao mercadinho próximo à
pracinha, e comprei uma caixinha com o líquido “milagroso”. Já li muito sobre a
eficácia dele, até em tempos de guerra. A tampa de uma garrafinha d’água,
serviu de copo e ela tomou a água de coco. Parecia se recuperar aos poucos, as
cores voltavam. E ela, tímida: “Que vergonha!” Cada uma de nós e os poucos
homens que também participam, tentavam animá-la. Eu também já levei um tombo horrível no Plaza, bati de
cara no chão – dizia eu. Ela já se encontrava sentada num degrau da escadinha
que leva ao “palco”, escorada no colo prestimoso de uma jovem senhora que
também faz exercícios neste grupo e que sempre se faz acompanhar por sua filhinha
de uns três a quatro anos. Algumas vezes, ela leva também o seu bebê, no
carrinho. Surge um rapaz moreno, bonito, aparentando uns quarenta anos, se
tanto; vem da rua próxima e também se toca e quer ajudar, diz que ele também
tem labirintite. Enfim, é uma bela demonstração de que o ser humano é
solidário, é bom, no final das contas. O
guarda-de –trânsito se faz
presente entre nós. Eu escuto aquele senhor simpático dizendo para uma de
nossas companheiras que se esquecera da receita. –“Voce é médico? “ Perguntei
–“ Não”, se apressou ele. “Era uma receita de licor para minha amiga, é um
santo remédio, completou”. E rimos. A
gravidade do tombo, aparentemente, se afastava. Ela já dava sinais de melhora,
sorrindo suavemente. Neste momento, surge o carro de bombeiros, com sua sirene,
avisando que o socorro chegava. A professora, em tom brincalhão, dizia que
seria bom que viesse um “gato” entre os paramédicos. Já se desenhava um ar de
alívio entre todos. Uma moça bonita, morena, jovem, aparece rapidamente, vestida
com uniforme bege daquela magnífica corporação, que é o Corpo de Bombeiros.
Em seguida, um rapaz que parecia também
médico, se aproxima. Estava salva nossa amiga. Seu marido, já avisado, também
estava chegando, soubemos. Saí, vindo
para casa. É bom estar no meio deste grupo amigo. É bom, muito bom...
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