quinta-feira, 26 de setembro de 2013

SANDALINHAS "HAVAIANAS".


Será normal uma saudade tão grande de alguém que você acabou de ver e, mal essa pessoinha virou as costas, você se sente arrasada? É assim que fico quando meu netinho vai embora, depois da visitinha semanal. Deixei-o na casa da mãe. Fomos de táxi. Ele chegou, já dormindo no meu colo. Voltei no mesmo táxi. A cidade anda tão perigosa que não me atrevo a voltar de ônibus, às vezes. Entrei e não havia ninguém em casa. Fui para meu quarto ver o jornal pela TV ou a novela que terminava; deparei- me com a minúscula sandália, com desenhos infantis, no chão. Aí, o nó na garganta: mais sete dias sem ver o meu menino. A banheira azul no box do meu banheiro, a cueca azul-marinho e o par de meias sobre a pia, que ficaram para eu lavar. Esta, outra  etapa deliciosa; sorrio a cada esfregadela, nunca tenho prazer maior ao lavar uma peça de roupa. Cada coisa sua me deixa com este sentimento. É um carinho tão grande que chega doer. Deus me deu este presente: não imaginava que o amor por um neto fosse tão imenso. Não é como o amor pelo filho, não. É apenas diferente. Há mais paciência. Há mais permissão. Há mais satisfação ao acariciar a mãozinha infantil, ao massagear o pezinho que coça. Há, no final das contas, mais noção de que, com a idade, com os problemas que naturalmente enfrentamos, a vida é compensada com esse pequenos  prazeres. Não dá para medir. E fico esperando pelo próximo encontro,  trabalhoso, sim, mas que transborda ternura, que me faz feliz... 

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