Será normal uma saudade tão
grande de alguém que você acabou de ver e, mal essa pessoinha virou as costas,
você se sente arrasada? É assim que fico quando meu netinho vai embora, depois
da visitinha semanal. Deixei-o na casa da mãe. Fomos de táxi. Ele chegou, já
dormindo no meu colo. Voltei no mesmo táxi. A cidade anda tão perigosa que não
me atrevo a voltar de ônibus, às vezes. Entrei e não havia ninguém em casa. Fui
para meu quarto ver o jornal pela TV ou a novela que terminava; deparei- me com
a minúscula sandália, com desenhos infantis, no chão. Aí, o nó na garganta:
mais sete dias sem ver o meu menino. A banheira azul no box do meu banheiro, a
cueca azul-marinho e o par de meias sobre a pia, que ficaram para eu lavar.
Esta, outra etapa deliciosa; sorrio a
cada esfregadela, nunca tenho prazer maior ao lavar uma peça de roupa. Cada
coisa sua me deixa com este sentimento. É um carinho tão grande que chega doer.
Deus me deu este presente: não imaginava que o amor por um neto fosse tão
imenso. Não é como o amor pelo filho, não. É apenas diferente. Há mais
paciência. Há mais permissão. Há mais satisfação ao acariciar a mãozinha
infantil, ao massagear o pezinho que coça. Há, no final das contas, mais noção
de que, com a idade, com os problemas que naturalmente enfrentamos, a vida é
compensada com esse pequenos prazeres.
Não dá para medir. E fico esperando pelo próximo encontro, trabalhoso, sim, mas que transborda ternura,
que me faz feliz...
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