segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O COMEÇO E O FIM.


Todas as manhãs tenho ido  à pracinha onde, junto com outros da mesma faixa etária (digamos assim...),faço exercícios; por sinal, muito saudáveis: praticamos equilíbrio, fazemos alongamento, além da aeróbica, acompanhando o ritmo da música. Há um momento em que paramos, rapidamente, para tomar água. O sol é implacável a essa hora e a ginástica bem puxada. Observei então um menino, brincando na grama; para ser mais exata, um  bebezinho, talvez no primeiro ano de vida. Os pais atentos ao lado. Inevitável a comparação. Ele no comecinho e eu já me encaminhando para o desfecho final. Não estou sento trágica, apenas, naquele instante, constatei o encontro de gerações, naquele exíguo espaço de lazer, a realidade que me fazia pensar na brevidade da vida. Como passou depressa... Agora me vejo imaginando o amanhã daquela criança. E forçosamente, me deparei com o meu próprio futuro, já tão limitado. Há alguns truques, além do conhecimento avançado da medicina que proporciona às pessoas que, como eu, tiveram  o seu quinhão, que alongam o nosso tempo no planeta. Mesmo assim, me vejo acometida por uma sensação  parecida com decepção. Ou incompletude. Parece que ficou faltando algo a fazer. Parece que o tempo passou e não te deu a melhor opção. Parece que suas escolhas não foram as ideais. Enfim, parece que a vida ficou te devendo um troco. Tudo isso se passou pela minha mente naquele instante fugaz. Tão fugaz quanto a vida.

 

 

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