Todas as manhãs tenho ido
à pracinha onde, junto com outros da mesma faixa etária (digamos
assim...),faço exercícios; por sinal, muito saudáveis: praticamos equilíbrio,
fazemos alongamento, além da aeróbica, acompanhando o ritmo da música. Há um
momento em que paramos, rapidamente, para tomar água. O sol é implacável a essa
hora e a ginástica bem puxada. Observei então um menino, brincando na grama;
para ser mais exata, um bebezinho,
talvez no primeiro ano de vida. Os pais atentos ao lado. Inevitável a
comparação. Ele no comecinho e eu já me encaminhando para o desfecho final. Não
estou sento trágica, apenas, naquele instante, constatei o encontro de
gerações, naquele exíguo espaço de lazer, a realidade que me fazia pensar na
brevidade da vida. Como passou depressa... Agora me vejo imaginando o amanhã
daquela criança. E forçosamente, me deparei com o meu próprio futuro, já tão
limitado. Há alguns truques, além do conhecimento avançado da medicina que
proporciona às pessoas que, como eu, tiveram
o seu quinhão, que alongam o nosso tempo no planeta. Mesmo assim, me vejo acometida por uma sensação
parecida com decepção. Ou incompletude. Parece que ficou faltando algo a
fazer. Parece que o tempo passou e não te deu a melhor opção. Parece que suas
escolhas não foram as ideais. Enfim, parece que a vida ficou te devendo um
troco. Tudo isso se passou pela minha mente naquele instante fugaz. Tão fugaz
quanto a vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário