sábado, 26 de dezembro de 2015
Faxina, música e lágrimas.
Sabe aquele dia que não tem nenhum programa definido? Pois é. Hoje, está assim. Entressafra. O ano acabando e o outro ainda faltando um pouquinho pra começar. Estou só em casa. Acordei cedo, como sempre, deu preguiça e dormi de novo. A filha saiu para trabalhar. Repito, estou só. Aí, me levantei, pedindo aos ossos uma trégua, pra que doer? Afinal podia ser um presentinho de Natal, mas, não. Não me deram trégua,não, a idade pesa. Mesmo assim, continuei meu trajeto para o "sem nada que fazer". Na cozinha, a pequena chaleira me esperando pra fazer café. Olhei para o cesto de roupa suja que estava abarrotado! Inadiável. Comecei por aí. Derrubei tudo no chão, escolhi as mais claras que não mancham e taquei na máquina, medi o sabão e amaciante. Tudo muito chato. Liguei o pequeno rádio que estrategicamente fica por ali, esperando o momento de ouvir o padre. A palavra de Deus tem sido um bálsamo pra mim. Esquentei o pão no forninho elétrico; ficou que nem saído da padaria ( isso faço todas as manhãs) porque congelo, embrulhado no papel laminado. Fiquei cansada.Abri a Internet, olhei mensagens de Natal, dos parentes e amigos, vi fotos. Desliguei. Joguei um punhado de papéis fora, sabe aqueles que não servem para nada e só enchem lugar? Esses mesmo. Tudo pro lixo. Aí, gente, que poeirada encontrei debaixo de cada caixa que esvaziava. Jesus! Resolvi passar um perfex e pano molhado. Peguei fitas antigas do curso de inglês e resolvi experimentar no meu aparelho de som que tem a idade de Matusalém, muitos anos. Passei álcool com cotonetes e o som melhorou. Aí, sem muito planejamento, fui limpando tudo. Daí para a faxina, um pulo. Sábado, depois do Natal e eu trabalhando. Mas o bom é que a limpeza do som me fez reencontrar um CD que meu irmão gravou para mim... Que músicas lindas! Parei com tudo e me deitei no sofá para ouvir. De repente, não mais que de repente, me levantei e comecei a dançar, olhando para o espelho no fim do corredor. Não sou boa dançarina, mas amo música. E, como ninguém estava vendo mesmo, até samba eu arrisquei. Sabe aqueles passos que nas escolas de samba parecem fáceis? Não são. Venho tentando toda a eternidade, mas danço mal pra burro. Só que me fez bem. O suor escorria por todos os poros. E limpei a alma, não com o aspirador de pó mas com música. Algumas me fizeram chorar. Lembro-me exageradamente dos tempos " idos e vividos". Não me recriminem. Sou assim. Foi bom. A sensação de casa limpa, de uma faxina onde mais precisava me deu ânimo. Misturei ao suor, todas as lágrimas que estocava. Não estava triste, estava derramando as mágoas e me deixando levar para um tempo onde as recordações não machucam, apenas se fazem presente, mesmo que retiradas lá do fundo do poço, num passado longínquo, em que a menina-mulher viveu bons momentos...Saudades. Sempre.
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2 comentários:
Adorei o texto mãe. É o cotidiano da vida!
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