sábado, 14 de fevereiro de 2015

Praia.

Fazia um bom tempo sem ir à praia. Hoje, avistei-me com o marzão verde, de ondas poderosas. Engraçado que houve um tempo em que me preocupava em pegar uma cor( coisa difícil já que sou branca leitosa) mas mudava de posição , como um frango de padaria pra ver se a tal morenice viria me enfeitar. Protetor solar, Coca-Cola, e tudo o mais que diziam acelerar o bronzeado.Uma vez, me lembro, de tanto insistir, exagerei e  mais parecia um camarão tostado;  a viagem de volta, com aquele engarrafamento horroroso de fim de temporada, fazendo o carro andar de meio em meio metro e a cada movimento do corpo, um suplicio, uma ardência sem fim. Quando menina, nem tinha noção da roupa que usaria; me lembro de um maiô vermelho, feito de lã, isso mesmo,  de lã, gente, e o único que usava. Secava de um dia para o outro  e lá ia eu, com meus irmãos, meus pais, toda serelepe para a praia. O cheiro da água salgada era algo indescritível, pisar  na areia; o sabor de estar ali, usufruindo aqueles banhos de mar, diariamente, me faziam imensamente feliz.  Apesar de não ser tão perto a casa do meu avô, não me incomodava com a caminhada, até porque, na volta, sempre ganhava sorvete Kibon, a carrocinha amarela e azul na calçada parecia guardar o manjar dos deuses; o de morango, escorrendo pela casquinha, guardo na memória, tanto  o gosto quanto o cheiro daquela fruta desconhecida, uma novidade incrível. Não  havia sorvete com aquele sabor,na cidade pequena onde morava, a não ser aquele de creme com ameixas,caseiro feito pela dona da Leiteria, na praça. Aí, veio a adolescência, a vaidade e os cuidados com o corpo, a escolha do maiô, se estava gorda, se estava magra, essas coisas.
Hoje, fui à praia. Já disse que havia um tempo enorme não acontecia. O mar lindo, limpo (ainda),  verde, me dava medo e tomei o famoso " banho de velha" bem na beirada. Mas foi muito bom. Compensador eu diria. E me dei conta de que já não me preocupo mais com o maiô que vou usar, nem com o corpo. Parece ter voltado o gosto da infância, aquele de água salgada na boca, de brincar com o mar. Agora, pretendo, se puder, voltar mais vezes para o reencontro com a felicidade pura e simples de dar um mergulho gostoso, de permanecer muito tempo nadando e tirando proveito de tantas delicias que o mar nos proporciona, além de ajudar a enfrentar esse calor danado. Há um encanto de novo: a lembrança da menina que fui. Já então  com a liberdade maior que a idade, de certa forma, nos devolve. Não vou mais me bronzear e me preocupar com a celulite ou uma gordurinha sobrando,  mas quero muito mesmo  a alegria pura de ficar feliz só por estar ali, revivendo as delicias da praia.

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