sábado, 7 de fevereiro de 2015

Bandidos, mocinhos...

Já é tarde, e a essa hora eu deveria estar dormindo. Preferi escrever. Nem sei porque. Acho que reclamar das coisas absurdas que presenciamos, pelos jornais,  na TV, os mais espertos e jovens através das maquininhas poderosas,  que nem consigo mais nomear. Tá tudo mais que exposto. O festejar de um partido que só trouxe arbitrariedade, pobreza, vergonha e tudo o mais que já sabemos. O discurso dos "poderosos" que jamais se perdem em sua podridão. Aí, dá vontade de sacudir as pessoas, mover céus e terra para que as falcatruas cessem. Mas o que fazer, minha gente? Cantar parabéns pelos trinta e cinco anos de um ajuntamento de bandidos que tornaram as coisas decentes risíveis e nos fizeram sentir uma enorme impotência diante de tantos fatos medonhos. Volto a uma época um tanto distante, claro, quanto eu ainda jovem, sabia distinguir o bandido do mocinho. Pelo menos, era o que se via nos filmes, nas histórias de amor das fotonovelas, nos romances onde existia o bem e o mal. Hoje, está confuso demais. Será que fiquei velha, obsoleta e não acompanho o que vejo e não entendo? Será que tô caduca? Ainda não, tenho certeza. Apenas sinto um desejo enorme de que se faça justiça, de que se possa discernir o bandido do mocinho, colocando cada um no seu devido lugar: o bandido na cadeia e o mocinho...peraí, gente! Cadê o mocinho? Em quem confiar, elegendo o herói que vem salvar o seu povo de uma coisa ruim, destronando os malfeitores e mostrando para todos que o bem sempre vence o mal. Acho, fui mal-acostumada. Deve ser isso. Sonhei demais e fui excessivamente crédula. Vi novelas demais, lia histórias em quadrinhos demais, os super-heróis sempre à frente, vencendo. Talvez, numa dessas manhãs qualquer, eu acorde com boas notícias. Quem sabe haja uma revolução geral e as pessoas de bem possam pagar seus impostos sem se sentirem totalmente lesadas. Que também possamos sair às ruas sem temer uma bala perdida ou um assalto. Quem sabe tudo isso tenha sido um terrível pesadelo e acordarei aliviada, olhando o sol brilhando lá fora e respirando aliviada, e dizendo pra mim mesma: foi só  um sonho ruim, ainda bem que acordei!

Nenhum comentário: