terça-feira, 4 de março de 2014
CARNAVAL MECÂNICO
Não consegui ver todas as escolas desfilando. Nem queria. Ontem, o telefone tocou às 3 horas da madrugada. Dei um salto da cama, aflita. Telefone a essa hora! Felizmente, só alguém que devia ter feito uma discagem errada. Voltei para meu quarto, mas o sono desistira de estar comigo. Liguei a televisão. Sempre me causa sonolência; pensei em ver o desfile da Unidos da Tijuca, do Paulo Barros, que surpreende a cada ano. Era homenagem a Ayrton Senna. Mas a Portela ainda tomava a avenida. Espetáculo magistral, como todas as outras, exemplo, a União da Ilha que trazia um tema incrível, sobre brinquedos, infância. Não tenho preferência por nenhuma delas. Apenas assisto, aleatoriamente, não tendo nada melhor que fazer ou para chamar o sono, já disse. Fico imaginando os gastos que cada Escola tem. Fico imaginando que mal acaba o desfile e todos os participantes, de certa forma, já se preparam para o próximo ano, passar pela avenida. É inegável o deslumbramento que causa ver a tecnologia a serviço de cada uma das escolas de samba. Mas é também a prova de que, cada vez mais, o Carnaval na Avenida virou um negócio, com gastos astronômicos, disputa acirrada entre os concorrentes. Eu teria dificuldade, se fosse jurado, se tivesse de dar notas, pois cada uma se apresenta de forma impressionante. São elaboradas as mais incríveis apresentações. As mulheres, com suas barrigas "tanquinho" e coxas de lutador de boxe, numa competição ilimitada. Perdeu-se a beleza. Perdeu-se a espontaneidade, perdeu-se o verdadeiro carnaval. Tudo não passa de um frenético e assustador desvario. Não há alegria. Natural, não. É pose para as câmeras. É dinheiro desperdiçado. É sorriso falso. Alegria comandada. Cadê o Carnaval de serpentinas, confetes e pierrô apaixonado? Saudades...
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Um comentário:
Realmente, carnaval hoje perdeu a graça. Só tem putaria, jogo de poder, e competição das famosas na TV, para ver quem é mais bonita. Jogo de Marketing.
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