Voltava eu da minha aula diária de ginástica para velhos. Velhos, sim. Nada desse negócio de substituir a palavra por idosos, melhor idade, essas coisas que só servem para humilhar mais. Aliás, não propriamente humilhar... Credo! Por que eu disse isso? Não é ridículo ficar velho, apenas acontece, é até motivo de orgulho, não é mesmo? Mas, continuando, vinha eu toda faceira, na minha bermuda cinza, combinando com a camiseta verde e tênis. Chegando à esquina próxima da minha rua, percebi um amontoado de pessoas; duas senhoras seguravam pela coleira dois cachorros: um menor, metido a besta, rosnando para o maior, que parecia mais feroz e agressivo. Tive que passar por eles. Sempre observo a campanha que muitos fazem a favor de animais. Sou totalmente a favor; dei até em sentir certo remorso ao comer uma coxa de frango ( a parte que mais gosto) ou quando mastigo uma carne moída e penso no pobre boi, tão grande tão forte e imponente, que acabou sendo triturado tristemente. Até rimou. Se ele soubesse a força que tem talvez reagisse. E os peixes então, morrem pela boca, mas se Jesus liberou... Enfim, volto a dizer que sou a defensora dos animais, contanto que fiquem longe. Não sei explicar e não é a primeira vez que escrevo sobre o assunto: morro de medo, principalmente, de cachorros pois estão sempre no meu caminho, no meu prédio, na rua...em todo lugar. Os outros, dos quais tenho tanto medo como cobras e lagartos, estão mais distantes, obviamente. Quero que todos os cachorros se deem bem. Chego a invejar aqueles que os tem como bichinhos de estimação e os tratam com o carinho devido. Só que o contato com eles me dá uma tremenda aflição, vai entender. Aí, precisei passar pelos dois “dogs” que latiam um paro o outro ameaçadoramente. Minha reação foi automática, desviei-me como pude e quando dei pela coisa, estava segurando a camisa amarelo-alaranjada do lixeiro que se encontrava junto às duas senhoras e respectivos cachorros. Ele riu do meu súbito medo e disse, com ar divertido: -“ Tá com medo dos cachorros?” E eu segui meu caminho, já agora, rindo muito também, percebendo a estranheza da situação. Que vergonha! Uma senhora já avançada na idade (digamos assim) e tão cheia de chiliques!
Um comentário:
O rapaz do lixo deve ter pensado: "Velha assanhada!!!"
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