Ele vestia uma camisa cor de laranja, uma bermuda preta, um tanto gasta; ela uma blusa
de malha cinza, calça jeans e usava óculos discretos; aparentava estar um pouco
acima do peso ideal mas , mesmo assim, uma mulher bonita, bem feita de corpo.
Entre o casal, dois meninos. Um, aparentando uns dez anos e o outro, talvez,
uns quatro. Sentados à minha frente, no banco da igreja. Missa das seis. O
padre já anunciava sua pregação. Mas eu, devo confessar, não tirava os olhos
daquela família bonita, principalmente, do garotinho menor, postado em frente a
mim. Ele se voltava para trás, observando os gestos de uma senhora que rezava
com mais convicção que eu ( pelo menos aparentava isso, com seus molejos de
braços e um canto com volume bem acima do meu). E a criança olhava, e eu ria
para ela, toda vez que se virava. Estava
literalmente encantada com o menino, que batia palmas e tentava cantarolar os
hinos religiosos, imitando a mãe e o pai. Num dado momento, esse pai carinhoso pegou-o
ao colo e ele se aninhou de forma aconchegante. Eu percebia suas mãozinhas
pequenas batendo palmas ao redor do pescoço paterno. Era um encanto. E mais
encantador era perceber o carinho do irmão maior que observava o caçula com olhos ternos e sorria para a mãe,
mostrando as atitudes do pequeno. Passei todo o tempo da missa assim: sem tirar
os olhos daquela cena bonita. Até que o pai colocou o menininho no banco,
novamente. Daí a poucos minutos, ele cochilava, embalado pelas canções e pelo
coro dos fiéis, naquele compasso lento. Dormiu. O irmão mais velho se apressou
em avisar aos pais. O homem, de novo, pegava a criança ao colo, com extremado
cuidado. Em poucos minutos, a mãe trocou de lugar com o filho maior e tomou
para si o menor que dormia. Uma cena simples mas comovente. Quando a celebração da
missa chegava ao fim, não me contive e perguntei à jovem mãe a idade do menino
menor. “_Quatro anos”. Respondeu ela, com um sorriso. E eu: “- Tenho um neto
com essa idade”. Ajoelhei-me para me despedir de Jesus e saí da igreja; coração
leve.
Um comentário:
Eu tb me emociono qdo vejo um família assim! Todos com os mesmos ideais e levando seus filhos para participarem do louvor e agradecimento a Deus.Sinto uma inveja...
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