segunda-feira, 5 de agosto de 2013

UM HOMEM, UMA MULHER E DOIS FILHOS.


Ele vestia uma camisa cor de laranja, uma  bermuda preta, um tanto gasta; ela uma blusa de malha cinza, calça jeans e usava óculos discretos; aparentava estar um pouco acima do peso ideal mas , mesmo assim, uma mulher bonita, bem feita de corpo. Entre o casal, dois meninos. Um, aparentando uns dez anos e o outro, talvez, uns quatro. Sentados à minha frente, no banco da igreja. Missa das seis. O padre já anunciava sua pregação. Mas eu, devo confessar, não tirava os olhos daquela família bonita, principalmente, do garotinho menor, postado em frente a mim. Ele se voltava para trás, observando os gestos de uma senhora que rezava com mais convicção que eu ( pelo menos aparentava isso, com seus molejos de braços e um canto com volume bem acima do meu). E a criança olhava, e eu ria para ela, toda vez que  se virava. Estava literalmente encantada com o menino, que batia palmas e tentava cantarolar os hinos religiosos, imitando a mãe e o pai.  Num dado momento, esse pai carinhoso pegou-o ao colo e ele se aninhou de forma aconchegante. Eu percebia suas mãozinhas pequenas batendo palmas ao redor do pescoço paterno. Era um encanto. E mais encantador era perceber o carinho do irmão maior que observava o  caçula com olhos ternos e sorria para a mãe, mostrando as atitudes do pequeno. Passei todo o tempo da missa assim: sem tirar os olhos daquela cena bonita. Até que o pai colocou o menininho no banco, novamente. Daí a poucos minutos, ele cochilava, embalado pelas canções e pelo coro dos fiéis, naquele compasso lento. Dormiu. O irmão mais velho se apressou em avisar aos pais. O homem, de novo, pegava a criança ao colo, com extremado cuidado. Em poucos minutos, a mãe trocou de lugar com o filho maior e tomou para si o menor que dormia. Uma cena simples mas  comovente. Quando a celebração da missa chegava ao fim, não me contive e perguntei à jovem mãe a idade do menino menor. “_Quatro anos”. Respondeu ela, com um sorriso. E eu: “- Tenho um neto com essa idade”. Ajoelhei-me para me despedir de Jesus e saí da igreja; coração leve.

 

 

Um comentário:

verinha.com disse...

Eu tb me emociono qdo vejo um família assim! Todos com os mesmos ideais e levando seus filhos para participarem do louvor e agradecimento a Deus.Sinto uma inveja...