Hoje é dia 07 de novembro de 2010.
Escrevo
numa folha em branco do computador, mas sob ela, escondida, está uma enorme
tristeza. É um sentimento de perda, frustração. Há um pouco de irritação também,
afinal sou humana. Minha autoestima está em jogo. E o outro time ganha de
lavada! Estou perdendo o meu orgulho. Era mais “banqueira”, como costumávamos
dizer na época dos namorados. A desvantagem aumentou. Hoje estou velha. Não vou
aliviar, dizendo melhor idade, essas coisas... Fiquei velha mesmo e isso faz
toda a diferença. Os exemplos são muitos, incontáveis, de pessoas que se dão
bem apesar da idade, do tempo. Mas comigo não é assim. Porque soaria falso. Se fosse jovem, as
coisas seriam diferentes, com certeza. Teria todo tempo do mundo para bancar a durona. E a
concorrência, menos desleal. A cada dia, sinto mais uma ruguinha aparecendo; a
imagem que costumava admirar no espelho, deu lugar a uma senhora;
como costumam dizer:” você está muito bem!” Esse bem não quer dizer
bonita, jovem, apenas quer dizer que não despenquei de vez. Dá pro gasto... Não há nada que eu possa fazer para
mudar as coisas. Aliás, tentei. Fui às últimas conseqüências, me arrisquei,
falei dos meus sentimentos, fiz declarações, que nunca pensei conseguisse fazer
um dia. Fui além: me humilhei, dei a cara a tapa. De nada valeu. E aí vem
essa sensação de derrota, de batalha perdida. Sou o Napoleão na ilha de Santa
Helena. Daqui a alguns dias, faço 65 anos. Se somar mais cinco, setenta. Velha,
velhinha. Como as avós que eu olhava
antigamente, quando me achava tão distante daquela realidade. Velhinha assim,
só depois de milhões de anos! Não
chegaria tão cedo. Mas chegou. Outro dia, entrava no ônibus e pensava que em
poucos dias não pagaria mais passagens. São algumas poucas vantagens que
adquirimos com a idade. Vantagens? Que nada! Já me vejo encabulada, sem saber
se entro pela porta da frente ou se compro a passagem para não pagar esse mico!
Oh, céus, o que fazer?
Devo
então dizer que são alegrias tristes, é possível? É. São adjetivos
contraditórios que acabo de inventar, uma nova nomenclatura para qualificar os
substantivos...
Pensando
bem, quando falei de uma época em que podia me dar o luxo de brincar com o
tempo, de botar banca, porque podia blefar... Estava meio que me
enganando...Vieram-me à lembrança enormes frustrações e derrotas por que
passei. Como não havia pensado nisso, antes de escrever tamanha bobagem? É
claro que a idade pesa. É claro que não sou mais cobiçada, a não ser pelos
serviços de tele- marketing, oferecendo um novo cartão de crédito ou mesmo um
novo celular, ou provedor e todos aqueles por quem somos metralhados todos os
dias. Então. Quando era jovem, bonita, desejada, também tive grandes decepções.
Confiava em sair vitoriosa, já que desfrutava de tantos privilégios, dados de
bom grado pela mãe Natureza. Sairia vencedora, como não? E quebrei a cara,
mesmo assim. Impotência total e fatal. Por que não consegui os meus objetivos
já que celebrava todas as benesses? Daí a dor maior. Apesar de tudo, dos
benefícios, como por exemplo a juventude
e beleza, apanhei da sorte. Levei a pior, sim. Fui massacrada por outros
fatores alheios à minha vontade. São palavras que consolam, num momento em que
as alegrias são tão pequenas, tão fugidias...
Um comentário:
Meu Deus, eu me identifiquei completamente! Simplesmente maravilhoso.
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