quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Alegrias e tristezas


Hoje é dia 07 de novembro de 2010.

 

Escrevo numa folha em branco do computador, mas sob ela, escondida, está uma enorme tristeza. É um sentimento de perda, frustração. Há um pouco de irritação também, afinal sou humana. Minha autoestima está em jogo. E o outro time ganha de lavada! Estou perdendo o meu orgulho. Era mais “banqueira”, como costumávamos dizer na época dos namorados. A desvantagem aumentou. Hoje estou velha. Não vou aliviar, dizendo melhor idade, essas coisas... Fiquei velha mesmo e isso faz toda a diferença. Os exemplos são muitos, incontáveis, de pessoas que se dão bem apesar da idade, do tempo. Mas comigo não é assim.  Porque soaria falso. Se fosse jovem, as coisas seriam diferentes, com certeza. Teria todo  tempo do mundo para bancar a durona. E a concorrência, menos desleal. A cada dia, sinto mais uma ruguinha aparecendo; a imagem  que costumava  admirar no espelho, deu lugar a uma senhora; como costumam dizer:” você está muito bem!” Esse bem não quer dizer bonita, jovem, apenas quer dizer que não despenquei de vez. Dá pro  gasto... Não há nada que eu possa fazer para mudar as coisas. Aliás, tentei. Fui às últimas conseqüências, me arrisquei, falei dos meus sentimentos, fiz declarações, que nunca pensei conseguisse fazer um dia. Fui além: me  humilhei,  dei a cara a tapa. De nada valeu. E aí vem essa sensação de derrota, de batalha perdida. Sou o Napoleão na ilha de Santa Helena. Daqui a alguns dias, faço 65 anos. Se somar mais cinco, setenta. Velha,  velhinha. Como as avós que eu olhava antigamente, quando me achava tão distante daquela realidade. Velhinha assim, só depois de  milhões de anos! Não chegaria tão cedo. Mas chegou. Outro dia, entrava no ônibus e pensava que em poucos dias não pagaria mais passagens. São algumas poucas vantagens que adquirimos com a idade. Vantagens? Que nada! Já me vejo encabulada, sem saber se entro pela porta da frente ou se compro a passagem para não pagar esse mico! Oh, céus, o que fazer?

Devo então dizer que são alegrias tristes, é possível? É. São adjetivos contraditórios que acabo de inventar, uma nova nomenclatura para qualificar os substantivos...

Pensando bem, quando falei de uma época em que podia me dar o luxo de brincar com o tempo, de botar banca, porque podia blefar... Estava meio que me enganando...Vieram-me à lembrança enormes frustrações e derrotas por que passei. Como não havia pensado nisso, antes de escrever tamanha bobagem? É claro que a idade pesa. É claro que não sou mais cobiçada, a não ser pelos serviços de tele- marketing, oferecendo um novo cartão de crédito ou mesmo um novo celular, ou provedor e todos aqueles por quem somos metralhados todos os dias. Então. Quando era jovem, bonita,  desejada, também tive grandes decepções. Confiava em sair vitoriosa, já que desfrutava de tantos privilégios, dados de bom grado pela mãe Natureza. Sairia vencedora, como não? E quebrei a cara, mesmo assim. Impotência total e fatal. Por que não consegui os meus objetivos já que celebrava todas as benesses? Daí a dor maior. Apesar de tudo, dos benefícios, como por  exemplo a juventude e beleza, apanhei da sorte. Levei a pior, sim. Fui massacrada por outros fatores alheios à minha vontade. São palavras que consolam, num momento em que as alegrias são tão pequenas, tão fugidias...

Um comentário:

verinha.com disse...

Meu Deus, eu me identifiquei completamente! Simplesmente maravilhoso.