Nem sei como, ontem, fiquei me lembrando coisas de há tempos. Pensei na vida em Volta Redonda, onde nasceu meu terceiro filho. Cidade poluída que me deixava com a alergia acentuada. Olhava pro céu e as fumaças expelidas pela Siderúrgica eram multicores: cinza, rosa, marrom e outros tons. Para um quadro seria bonito, mas pra vida real era um horror. Com três crianças, ainda nas fraldas, a lavar,era média de cem por dia, mais ou menos, daquelas de pano mesmo. Descartáveis, acho que ainda eram novidade. O fato é que a fuligem cobria tudo. Espanava a casa e limpava o chão para perceber que, em pouco tempo, o pó preto tomava conta. Vinha de uma cidade interiorana, onde não havia poluição. Nenhuma. Então estranhei muito. Morei lá por quinze anos. Não gostava daquele lugar. O que ganhei, em contrapartida, foram os amigos. Amiga fiel, verdadeira irmã, ainda vive lá. Tive outras, sim. Mas comecei a citar algumas coisas que puxaram outras. Lembrei-me com saudades de um senhor que foi nosso fiel escudeiro, o "Seu Pedro". Trabalhava com meu marido, ajudando-o a carregar processos, ajudando em tudo. Antes, pela manhã, era quem fazia uma boa limpeza na piscina, assim como executava outros pequenos afazeres da casa. Almoçava em nossa casa, tomava seu banho, se arrumava com capricho e os dois seguiam juntos para o trabalho, cada um com sua função. Quando nos mudamos de lá pra cá, ele nos acompanhou e ajudou a colocar os milhares de livros nas estantes, acomodou tudo que podia nos lugares certos e, quando já nos havíamos acomodado razoavelmente, foi-se embora. Chorei, ao me despedir dele. Acho que "Seu" Pedro já fazia parte de nossa vida. Não o veria mais. Era uma fase nova numa cidade em que sempre pensei morar: Niterói. Só que algumas pessoas marcam nossa existência. Aquele senhor, baixinho, cabelos meio grisalhos, sempre pronto a nos socorrer com inúmeras tarefas, não mais o veria. A vida é assim. Hoje, fiquei matutando e me lembrei de escrever algo sobre aquele nosso ajudante de todas as horas. Foi importante, num momento. Muito. Depois, sua figura, aos poucos, foi se diluindo com o passar do tempo. Não o verei mais, repito. Mas deu uma saudade danada! Por que? Não sei. Talvez a vertiginosa carreira do nosso existir seja motivo dessas divagações. Há tantas pessoas que me foram queridas e que não as verei mais. Assim como o valoroso amigo, "Seu" Pedro. Nostalgia, às vezes, dói. Mas , às vezes, também nos dão um bom motivo pra nos premiar, relembrando pessoas como aquele homem simples. Agora, me lembrei do que me fez reconstruir a figura do "Seu" Pedro: vi anunciarem na TV um "desastre" nas águas de uma piscina Olímpica, quando a água azul se tornou esverdeada e opaca. Tivemos uma boa piscina em nossa casa, onde meus filhos aprenderam a nadar. A água, constantemente, azul e bem cuidada. E me veio à memória aquele trabalhador simples de todos os dias em nossa casa. Sou assim. Do nada, sinto uma saudade enorme das pessoas, de um tempo que não volta...
2 comentários:
Mãe oi também sinto saudades do sr. Pedro. Tia Adilea, falou que ele está bem velhinho. Estamos querendo ir visita-lo
Saudades também dos bons tempos! Da infância.
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