sábado, 16 de janeiro de 2016

Um dia de cada vez.

A capa da revista Veja trouxe estampada a figura de David Bowie, bonito, de cara limpa, diferente do que costumava mostrar.Sei que marcou gerações inteiras e deixou um legado enorme de obras,à frente do seu tempo,apreciadas pelos jovens ( agora, não mais tão jovens) e que causou furor por décadas. Morreu, mais novo que eu, um ano apenas. Sempre inovando, mesmo nos últimos momentos, deixando mais uma composição, ainda que agonizante, abatido por um câncer. Vida e morte. Para todos, não há como escapar. Nascemos e morremos. O que se faz durante a travessia é o que vai nos marcar para o bem ou para o mal. Daqui a uns tempos, mesmo o grande cantor e compositor vai ser não esquecido, mas ficará adormecido na memória. Vez ou outra, lembrado, homenageado, imitado. É assim. Amanhecer, andar por aí, ou se divertindo, ou trabalhando, não importa; o que temos de definitivo é a certeza da morte. Somos condenados, assim que damos o primeiro grito, o primeiro choro, com o susto do nascimento. É aterrador pensar assim. Mas é realidade pura. Então, penso em aproveitar os minutos, as horas, todo o tempo de que ainda disponho ( que não sei quanto é - afinal, ninguém sabe) e nutrir a cada segundo,  a vida,tornando-a agradável, feliz, degustando cada momento. Fazemos assim? Não. Alguns, tem mais disposição para alongar  essa dádiva que é viver. Eu disse dádiva?  Sim, eu disse. Comecei falando da capa da revista, que me chega todo sábado - fiz uma assinatura anual. Gosto de ler, revistas também. Ai, gente, o que vem estampado nas páginas da dita revista? Morte. Morte por desassistência nos hospitais. Corrupção generalizada em todas as áreas públicas. Os nossos suados impostos sendo desviados para bolsos e obras superfaturadas, bandidos nos comandando. Tem a parte cultural essa revista, tem, sim. Mas como me animar a sair, ver uma boa peça, ou filme ou exposição se a saída de casa se tornou um risco iminente, real?Há um provável assaltante, assassino em cada esquina. Agradecer pela saúde, vem em primeiro lugar. Acordar animada, ainda que para uma faxina, organizar melhor as gavetas, doar roupas que já não me servem, consertar a torneira da cozinha, que pinga a gota que não deve ser desperdiçada, tudo isso é bom. Prefiro a ficar inerte, jogada no sofá, ou na cama, esperando um bom programa na TV( tão raro, cada vez mais) e esperar as horas passarem. Viver um dia de cada vez, o passado não volta (só na memória, claro) e o futuro também é irreal. Não sei se chegará. Qual seria a medida do que dizemos ser futuro: o amanhã, a semana seguinte, o ano que vem? Depende do que planejamos e esperamos acontecer. Estou no estágio de querer mais para os filhos do que pra mim. Vivi o que tinha que viver. Já tenho um neto. Penso neles com a preocupação que todos os pais e avós tem. O mundo correu mais depressa do que devia. Tecnologia absurdamente rápida governa nossas vidas. Estamos melhor assim? Não sei. Só o que sei é que, se não me apressar, nem mesmo vou passar a ser uma figura de museu (já que sou bem menos que David Bowie), ou mesmo um ser defasado, alienado, que não acompanhou a vida, essa senhora miserável, que me deixou sem fôlego, rindo de mim, porque estou "batendo pino", enquanto ela se afasta, matreira, voando na minha frente. Porque o tempo não para, nem ela.

2 comentários:

Unknown disse...

Mãe, precisamos sim sair, ainda que em cada esquina seja um risco eminente. Não podemos ficar trancados dentro de casa. Sim o mundo mudou sim e de certa forma muito rápido. Ninguém tem mais paciência para nada. Tudo tem que ser a tempo e hora. Antes as pessoas sabiam esperar. Crianças curtiam mais a infância e os adultos tinham menos problemas. Todos gostavam de ler. Hoje em dia as pessoas só vêem celulares notebooks, etc. Infelizmente.

Unknown disse...

Mãe, precisamos sim sair, ainda que em cada esquina seja um risco eminente. Não podemos ficar trancados dentro de casa. Sim o mundo mudou sim e de certa forma muito rápido. Ninguém tem mais paciência para nada. Tudo tem que ser a tempo e hora. Antes as pessoas sabiam esperar. Crianças curtiam mais a infância e os adultos tinham menos problemas. Todos gostavam de ler. Hoje em dia as pessoas só vêem celulares notebooks, etc. Infelizmente.