Quando tudo parece normal, quando as tarefas diárias nos são obrigatórias, quando as atividades nos são enfadonhas e mesmo assim temos de cumpri-las, nada disso tem o valor que merece a não ser quando perdemos o dom maravilhoso da saúde. Aí, sim. Tudo o que renegamos, nos parece a dádiva suprema. Enfim, trabalhar, cumprir tarefas, mesmo as mais desagradáveis, nos parecem o maior dos bens. Estou assim. Sinto o corpo desobediente. Não há mais comando sobre os braços, as pernas meio que se arrastam e as pequenas distancias entre o quarto e a cozinha se alongam de tal forma que parece andei um quarteirão inteiro. Luto muito para estar em forma outra vez. Recorri ao médico que me receitou ansiolítico e antidepressivo. Melhorei um pouco. Pelo menos consigo não fazer vômitos quando como , o apetite vem se normalizando. Só meu sorriso desapareceu completamente; a graça, o ânimo, parecem coisas de outro planeta. É como se nunca tivessem existido. Depressão. Essa palavra me dá arrepios. Quando voltarei a ser feliz? Quando terei vontade de inventar coisas, ir ao mercado, conversar com as pessoas? Limpar a casa que anda mal cuidada, ajeitar gavetas, tocar meu violão, são coisas que não consigo mais. É triste depender dos outros. Reagir. Esse é um verbo que agarro todos os dias e espero me acertar com ele, mas está demorando. A televisão me dá mais desânimo. Mortes por atropelamentos, acidentes por irresponsabilidades e o governo que se apossa de novo, seguindo rumos que sabemos, não são os que o país necessita. É ver a bruxa malvada tomando conta de novo, com seus asseclas se atropelando uns aos outros e a empáfia desse partido maldito que foi tomando conta de tudo. Nem comentar mais quero. Ver o mal triunfar dá sensação de impotência, como se tudo o que nos foi ensinado sobre respeito, retidão moral, fossem apenas coisas bonitas de se ouvir mas que, na prática, não funcionam. Nos filmes de cowboys, da meninice, os "mocinhos" sempre ganhavam. As lutas eram definidas entre os bons e os bandidos. Hoje, não. Os malfeitores tomam a frente de tudo, escalam toda a gangue e seguem, sacudindo bandeiras de cores estranhas...não são as mesmas cores que nos davam idéia de patriotismo, as matas, destroçadas em prol de desenvolvimento, visando lucro. O homem se esquecendo de que a água é vida, que sem ela não haverá habitantes no planeta azul. Enquanto a medicina avança a passos largos, a incoerência do ser humano corre léguas à frente, num egoísmo ferrenho. De que vale viver mais, de que vale alcançarmos o centenário se engatinhamos em relação ao sentimento mais importante, mostrado por Jesus, o único pelo qual realmente vale a pena : o amor ao próximo!?
Um comentário:
Mãe você tá melhorando. Infelizmente a vida hoje anda complicada para muitos. Você com certeza vai voltar a rir, ser feliz, curtir a vida. Só que precisa sair, passear mais. Quanto a política, bom isso pelo jeito não tem jeito por hora. Mas creio ainda que algo possa acontecer inesperadamente este ano. Para melhor.
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