sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

NATUREZA VERSUS PAIXÃO.


Quando leio um livro onde o autor descreve cenas, a paisagem, relatando minúcias, às vezes, dá preguiça. Explico: não consigo “pular” pedaços do texto, tenho o hábito (não sei se é maluquice) de ler cada palavra. Sou fiel leitora, devo dizer. Fiel a quem? É que não sei fazer diferente. Li o primeiro volume de “Os miseráveis”, de Victor Hugo. Fantástico. Mas há trechos chatíssimos, que me perdoem os mais cultos. As batalhas do Napoleão, por exemplo, dão um nó na paciência. Pra que tanto detalhe? Já o exemplo do bispo é maravilhoso; do personagem Jean Valjean, que foi preso por roubar um pão e apesar de se tornar um benfeitor, bem mais tarde, acaba crucificado do mesmo jeito. Fez-me  lembrar  o Nelson Mandela. Os heróis se repetem de uma forma ou de outra. Mas volto a dizer sobre as falas de grandes autores, quando descrevem a Natureza. Eu também, me deleito, por exemplo, com o por do sol. Calma, gente,  não estou me incluindo entre os “grandes”, apenas gosto de escrever. Alguns amigos mandaram fotos pelo Facebook, de netos com a família, avós babando ( como na música da gloriosa Anita) no mar soberano, com águas claras, despoluídas ( ainda existem milagrosamente) e, com o calor que faz no meu apartamento, bem de frente para o sol, deu vontade de sacudir a inércia, colocar meu maiô e correr para a praia e mergulhar de cabeça. Mas uma das minhas paixões é justamente ver o sol se pondo, colorindo minhas tardes. É uma coisa da qual não abro mão. Não sei  porque, prefiro o calor, não gosto de frio. Talvez porque tenha alergia, sou meio asmática ( não sei se existe meio asmática, o fato é que melhorei muito com a Homeopatia) e friagem, repito, não me faz bem. Mas o que quero dizer, mesmo, é que compreendo quando alguém se prolonga ao descrever uma cena dentro de uma história. É o amor pelas coisas que admiramos. A Natureza é a maravilha que nos foi dada de presente. Mas não a usufruímos com respeito, nem valorizamos essa dádiva de Deus.

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