Quando leio um livro onde o autor
descreve cenas, a paisagem, relatando minúcias, às vezes, dá preguiça. Explico:
não consigo “pular” pedaços do texto, tenho o hábito (não sei se é maluquice)
de ler cada palavra. Sou fiel leitora, devo dizer. Fiel a quem? É que não sei
fazer diferente. Li o primeiro volume de “Os miseráveis”, de Victor Hugo.
Fantástico. Mas há trechos chatíssimos, que me perdoem os mais cultos. As batalhas
do Napoleão, por exemplo, dão um nó na paciência. Pra que tanto detalhe? Já o
exemplo do bispo é maravilhoso; do personagem Jean Valjean, que foi preso por
roubar um pão e apesar de se tornar um benfeitor, bem mais tarde, acaba crucificado
do mesmo jeito. Fez-me lembrar o Nelson Mandela. Os heróis se repetem de uma
forma ou de outra. Mas volto a dizer sobre as falas de grandes autores, quando
descrevem a Natureza. Eu também, me deleito, por exemplo, com o por do sol. Calma,
gente, não estou me incluindo entre os “grandes”,
apenas gosto de escrever. Alguns amigos mandaram fotos pelo Facebook, de netos
com a família, avós babando ( como na música da gloriosa Anita) no mar
soberano, com águas claras, despoluídas ( ainda existem milagrosamente) e, com
o calor que faz no meu apartamento, bem de frente para o sol, deu vontade de
sacudir a inércia, colocar meu maiô e correr para a praia e mergulhar de
cabeça. Mas uma das minhas paixões é justamente ver o sol se pondo, colorindo
minhas tardes. É uma coisa da qual não abro mão. Não sei porque, prefiro o calor, não gosto de frio.
Talvez porque tenha alergia, sou meio asmática ( não sei se existe meio
asmática, o fato é que melhorei muito com a Homeopatia) e friagem, repito, não
me faz bem. Mas o que quero dizer, mesmo, é que compreendo quando alguém se
prolonga ao descrever uma cena dentro de uma história. É o amor pelas coisas
que admiramos. A Natureza é a maravilha que nos foi dada de presente. Mas não a
usufruímos com respeito, nem valorizamos essa dádiva de Deus.
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